sexta-feira, 15 de março de 2019

Cresce violência nas escolas

Os atos de violência contra os professores têm aumentado, de maneira inquietadora, apesar das medidas tomadas pelas autoridades para coibi-los, como mostram dados levantados pela reportagem do Estado nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio do Estado de São Paulo. No primeiro semestre deste ano, foram registrados nada menos do que 548 boletins de ocorrência de agressão física de alunos contra professores, o que dá uma média de três por dia.
No caso da rede pública estadual, que conta com 5,2 mil unidades, dados da Secretaria da Educação indicam que aqueles casos de agressão subiram de 188 em 2015 para 249 em 2016. O problema não é de hoje. Resultados de um levantamento publicado em 2013 mostram que 44% dos professores da rede de ensino básico já haviam sofrido algum tipo de violência, sendo as mais comuns as verbais (39%) e as de assédio moral (10%). As de violência física não passavam de 5%, o que indica que a situação vem piorando.
Esse problema é um grande desafio para as autoridades porque tem vários aspectos importantes a serem atacados ao mesmo tempo, tais como a quebra de disciplina e autoridade – que começa em casa –, sem as quais a escola não funciona, a desestruturação da família, as carências sociais, a falta de perspectiva profissional para os jovens, em contraste com a sedução das drogas e do tráfico, e a difusão da cultura da violência. Sem se esquecer de que esse tipo de violência não é exclusivo das regiões e populações mais carentes.
Em contraposição a esta situação estarrecedora, em 2009, as autoridades educacionais de São Paulo lançaram a ideia inovadora da criação da figura de um professor mediador de conflitos para promover o diálogo e melhorar as relações entre os professores e os alunos. A ideia teve o apoio do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e da Prefeitura da capital e a participação, em sua implantação, do Tribunal de Justiça. A intenção dessa iniciativa é resolver os conflitos dentro da escola, evitando que eles descambem para a violência.
“Buscamos evitar a judicialização de conflitos. Desde criança se aprende que violência se responde com violência. E assim a justiça se tornou uma espécie de vingança”, afirma o juiz Egberto de Almeida Penido, que participa de um dos projetos desse programa, indicando o esforço que os mediadores devem fazer para matar no nascedouro o ciclo de ódio que leva à agressão.
Um exemplo dos resultados que podem ser obtidos com a ação dos mediadores de conflitos, citado pela reportagem, é o da Escola Estadual Sérgio Murilo Raduan, no Jardim Varginha, extremo sul da capital. Ali, só no primeiro bimestre de 2016, foram registrados 46 casos de desrespeito ao professor ou funcionário por aluno e neste ano, no mesmo período, o número baixou para 12 por causa do diálogo promovido entre as partes pelos mediadores, precedido de uma calma conversa com o aluno exaltado.
Apesar desses resultados animadores, os números que mostram o aumento das agressões deixam claro que a ação dos mediadores de conflito não é uma panaceia. Tem limites. Quando o diálogo falha e a agressão ocorre, quebrando o princípio da autoridade – além, é claro, do dano físico ou moral causado ao agredido –, o caso tem de ter desdobramentos administrativos e criminais. O agressor tem de ser responsabilizado por seus atos.
Todos os esforços devem ser feitos, em todos os planos possíveis, para atacar o complexo problema da violência entre os jovens. Mas, ultrapassado o limite da integridade física e moral, assim como o da disciplina em sala de aula, não pode haver tolerância com a violência. O recente episódio da brutal agressão sofrida pela professora Márcia Friggi, da cidade de Indaial, em Santa Catarina – que está longe de ser um caso isolado –, vítima de um aluno de 15 anos, que já havia agredido antes a própria mãe, mostra o alto preço que sempre se paga por tolerar a impunidade, dentro ou fora das escolas.

Alunos discutem causas e soluções para a violência escolar

O tema violência escolar não pode ser analisado a partir de um único ponto de vista, já que existem diferentes fatores para que essa violência aconteça como o social, o político, o econômico e o cultural. E para acabar com a violência no contexto escolar é primordial a conscientização dos alunos quanto aos danos que ela traz à vida de todos. Essa foi a constatação dos próprios alunos do ensino médio, entrevistados para estudo feito na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.
Participaram do estudo alunos de uma escola de ensino médio do município de Alfenas, Minas Gerais, que mostraram seu posicionamento em relação à violência que abrange todo o contexto escolar. Segundo a enfermeira Michelly Rodrigues Esteves, autora da pesquisa, “no Brasil, os adolescentes estão entre os grupos populacionais mais vitimados pela violência, que apresenta diferentes tipos, sendo apontados no estudo três tipos: verbal, física e psicológica”.
Para os adolescentes entrevistados, a violência dentro da escola começa com a falta de aceitação das diferenças, que pode ocorrer entre os alunos, entre professores e alunos e, também, entre funcionários e alunos. “A direção da escola e os professores também são considerados agentes de violência quando são extremamente autoritários, deixando de ouvir o que os alunos têm a dizer”, conta a pesquisadora.
Além da intolerância com as diferenças, sejam elas de gênero, físicas ou sociais, de acordo com Michelly, as atitudes violentas começam com palavras agressivas, que em alguns casos, constituem uma forma de chamar a atenção dos colegas e, até mesmo, dos professores e, a partir disso, geram atitudes mais severas. Segundo relato dos alunos, “a agressão física pode ser uma alternativa quando a conversa não resolve e quando as pessoas se mostram muito provocativas em público”.

De fora para dentro

Além da violência que já começa dentro da escola, ela também pode ser ocasionada por influências externas, como é o caso da rua e da família. Para a pesquisadora, o adolescente entende a rua como assustadora ou acolhedora. “Ela pode ser também um local de refúgio, onde eles encontram amizades, liberdade e, consequentemente, descobertas, que nem sempre são classificadas como boas”. Nesse caso, diz Michelly, o aluno tende a levar o que aprende na rua para dentro da escola.
Quanto ao papel da família, segundo Michelly, muitas vezes os pais se envolvem de forma insuficiente na vida dos filhos, sendo possível perceber uma relação pouco harmoniosa entre família e escola. A violência psicológica e a física, diz a pesquisadora, são aplicadas em algumas famílias como medidas punitivas e disciplinatórias e não são raros os relatos de filhos que presenciaram ou que ainda presenciam a violência sofrida por suas mães. “A instituição família precisa ser fortalecida, ter os seus princípios e os seus valores devidamente alicerçados e reconhecidos na parceria junto à escola”, conclui Michelly.
Para evitar a violência dentro da escola e facilitar a convivência social existem normas, regras de conduta e de funcionamento do local. Para a pesquisadora, os sistemas de ensino devem introduzir, desde os primeiros anos, a Educação para a Paz e a mediação de conflitos nos currículos escolares. “As escolas devem estimular as crianças e os adolescentes para terem capacidade de reflexão, contextualização, e mostrar que todos os seres humanos apresentam suas diversidades e por mais diferentes que pareçam têm necessidades comuns aos demais e devem ser trabalhadas na comunidade escolar a intolerância com as diferenças”, diz a orientadora do trabalho professora Maria das Graças Bomfim de Carvalho.
A tese de doutorado Violência no contexto escolar sob a óptica de alunos do ensino médio foi defendida no ano passado. O estudo recebeu o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Título da Redação:

As causas da violência escolar e seu tratamento.

Redação enviada há quase 3 anos por Matheus Pena Coelho Pena Coelho

A violência nas grandes cidades brasileiras teve um aumento exponencial à partir dos anos 1990, quando passou a atingir também as escolas. A crescente violência nas escolas brasileiras vem recebendo cada vez mais destaque na mídia As discussões para tentar definir os motivos e o que fazer para lidar com esse problema, entretanto, não apresentaram, até os dias atuais, algo efetivo para tratar desse problema.
O respeito à autoridade do professor decaiu bruscamente nos dias de hoje. Isso é fruto de péssimos exemplos de autoridades que não cumprem seu dever perante o povo brasileiro. Governadores, prefeitos, vereadores e a própria polícia são exemplos dessas autoridades que perderam a credibilidade nas últimas décadas, devido à corrupção, falta de moralismo, falta de ética e falha em cumprir seus deveres. Todos esses maus exemplos e a rebelião contra os mesmos citados, dificultam o desenvolvimento do respeito do aluno por uma autoridade, como é o caso do professor em sala de aula.
A expansão da violência geral nas grandes cidades é o fator mais significativo para compreender a violência escolar. As periferias das cidades grandes, onde habitam a grande maioria dos alunos de escolas públicas, são os lugares de maior incidência de crimes e da marginalização. A falta de qualidade no ensino público não impulsiona o aluno a passar em vestibulares e o aluno percebe isso. Como disse Paulo Freire: Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor. Os oprimidos aos quais Paulo Freire se referia são os pobres, marginalizados, à beira do sistema de ensino do governo, que não oferece uma educação didática digna à grande parte dos alunos.
Outro fator que remete à violência nos dias atuais é a exposição de brigas e rebeliões de jovens e adolescentes nas redes sociais. São organizados “torneios” ilegais de combate entre alunos, sejam da rede pública ou privada. Às vezes são feitos até mesmo dentro das dependências do colégio (como o caso exibido em uma matéria do programa Fantástico da Rede Globo) e após as lutas, os vídeos são postados na internet , exibidos e compartilhados. Diversas formas de bullying também são postadas nas redes sociais, continuando a difamação para com o aluno ou professor que está sendo vítima, mesmo após as aulas.
Tendo em vista os fatores apresentados, a solução para reduzir a violência escolar deve ser executada pelo Governo e pelos pais e contar com a colaboração dos administradores das redes sociais. O governo precisa investir na infraestrutura dos colégios, no material didático e no plano de estudo que os professores irão apresentar aos alunos durante o curso. Um projeto de educação cívico moral deve ser realizado nas escolas públicas e privadas de todo o Brasil, visando orientar os alunos e professores das escolas a como se portar nas aulas e a respeitar o poder do professor na sala de aula. Os pais devem cumprir seu papel de ensinar os filhos a respeitar à autoridade do professor e procurar saber sobre o comportamento do seu filho em sala de aula. As redes sociais, por sua vez, devem colaborar com a polícia, a fim de restringir o acesso aos vídeos e postagens de violência e bullying e punir os colaboradores dessa violência. Dessa forma, o combate à violência escolar será executado de modo eficaz e trará um ambiente de estudo melhor para todos os envolvidos na educação.

Somos todos responsáveis pela violência nas escolas

 POR UMA ESCOLA LIVRE DE VIOLÊNCIA

As notícias recentemente veiculadas sobre agressões de alunos a professores em escolas têm uma forte vertente sensacionalista e um viés um tanto superficial, ouvindo basicamente a perspectiva dos adultos (mesmo assim, não a de todos os envolvidos na comunidade escolar) e realçando prioritariamente a violência dos alunos contra os professores.  Isso é um desserviço à educação porque cria estigmas, simplifica a questão e induz à busca de soluções igualmente simplistas e, por isso, ineficientes. Na verdade, alimenta o problema. A violência na escola é uma questão muito séria e complexa e merece um olhar cuidadoso e responsável.
Se é verdade que a violência está na sociedade e não apenas na escola, que a reproduz, é verdade também que há violências produzidas no interior da própria escola. Muitas delas funcionam como prisões e lançam mão de formas autoritárias de “manter a disciplina”; baseadas mais nas interdições – no que é proibido – do que no investimento na formação de sujeitos capazes de praticar formas democráticas de convívio, as escolas produzem assim um contexto potencialmente violento.
Para esta discussão é necessário olhar as muitas violências que ocorrem no cotidiano da escola: as institucionais, as interpessoais, as físicas, psicológicas, simbólicas… Todas geram uma pressão contínua e que podem causar explosões  – maiores ou menores – em determinados momentos e situações. Não queremos com isso minimizar ou justificar a gravidade das agressões dos alunos, pelo contrário. Estes fatos explicitam a situação extrema de hostilidade no ambiente escolar.
Adultos e estudantes são agentes e vítimas dessas violências. Preconceitos, discriminações, humilhações, desrespeito.  Do ponto de vista dos alunos, uma das violências mais sentidas – e permanentes – é o não atendimento de suas necessidades de aprendizagem e a falta de sentido do que se ensina e do que se aprende, que acabam funcionando como formas de submissão. Outra é a invisibilidade dos alunos gerada pela falta de escuta, de espaços de participação e de reconhecimento de suas demandas.
Ao mesmo tempo, os adultos da escola têm uma rotina puxada, atuam sem condições de trabalho adequadas, que garantam tempo e espaço para se dedicar à complexidade educacional, e nem sempre são autoridades legitimadas pelos alunos.  Na prática, fica uma tensão entre o desafio de ensinar conteúdos e o gerenciamento de indisciplinas dos alunos, e assim, a escola não consegue cumprir sua função primordial de educar, pois ninguém aprende e ninguém educa em um ambiente inóspito.
A experiência do projeto Respeitar é Preciso! mostra que sem dar atenção às questões que perpassam o cotidiano escolar, o caldo de violências é continuamente engrossado por discriminações e preconceitos de todo tipo. Nestas condições, as relações internas da escola tornam-se tensas, desgastantes e pouco frutíferas.
A violência nas escolas, um tema difícil, precisa ser analisada com a seriedade necessária. Nos preocupa muito a abordagem e o tratamento simplista dado pela mídia ao tema que, sem contextualização adequada, pode levar a conclusões enviesadas. Apontar, mais uma vez, os alunos como os culpados pela grave situação de violência nas escolas é injusto, perpetua o estigma e não encara o problema de frente.
Equipe do Respeitar é Preciso!Instituto Vladimir Herzog


quinta-feira, 14 de março de 2019

Líder na agressão de professores, Brasil convive com violência nas escolas

Indicadores globais mais recentes colocam o Brasil como o país mais violento contra professores. Apenas no estado de São Paulo, o número de docentes que disseram ser vítimas de algum tipo de violência cresceu nos últimos anos.
De acordo com a pesquisa mais recente realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2013, 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana.
É o percentual mais alto entre os 34 países analisados. O índice médio global é de 3,4%. Logo abaixo do Brasil, está a Estônia, com 11%, e a Austrália, com 9,7%. Já na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice é zero.
O levantamento foi feito com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos) em 34 países.
Uma outra pesquisa sobre o assunto feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), em 2017, revela que 51% dos professores da rede estadual já sofreram algum tipo de violência _percentual acima dos 44% registrado três anos antes.
Para a socióloga e coordenadora do programa de juventude e políticas públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), Miriam Abramovay, essa violência nas escolas só diminuirá com a implementação de políticas públicas voltadas para o tema.
“Tem de haver uma política pública de convivência escolar, onde se realize diagnósticos. Sabemos qual escola tem a melhor nota, mas não sabemos absolutamente nada sobre o clima escolar dentro dessas escolas”, afirma Abramovay.
Armamento

Segundo especialistas, o massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), na manhã desta quarta-feira, 13, reflete a falta de segurança no ambiente escolar e a solução não passa pelo armamento.   
“Se o país passar a ter acesso muito mais livre às armas, vamos poder chegar a níveis desse tipo de crime dentro das escolas como os dos Estados Unidos”, afirmou a especialista em violências nas escolas e juventudes.
Para ela, esse é um caso específico. “Ninguém acha que amanhã vai todo mundo sair armado e sair matando nas escolas. Claro que esses dois jovens tinham algum tipo de problema. Não podemos achar que esse será um comportamento repetitivo.”
A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo, rechaça teses que defendem o uso de armas por professores para diminuir a violência. Segundo ela, a presença de armas no ambiente escolar transformaria o espaço de aprendizado em uma “guerra”.
“Quem falou que professor está preparado para dar tiro? Professor está preparado para ensinar. A questão da violência tem que ser vista como mediação e não algo a ser combatido”, comenta ela.
Atentado em escola que deixou dez mortos, em Suzano
Ações preventivas

Entre as medidas apontadas como soluções para evitar ataques como o de hoje, Azevedo defende a presença de mais inspetores. Para ela, esses profissionais, acompanhados de material técnico como câmeras de segurança, ajudariam no controle da violência.
Outra medida que, na opinião dela, ajudaria na segurança das escolas seria uma presença maior.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Analfabetismo funcional: novos dados, velhas realidades

Chama atenção a porcentagem de adultos no nível proficiente de alfabetização no Brasil - apenas 12% -, apesar do aumento da taxa de escolaridade

Alfabetização adultos

A edição 2018 do Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional) acaba de ser divulgada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa. Não há boas notícias. O termo “analfabetismo funcional” se aplica aos indivíduos com entre 15 e 64 anos de idade que se situam nos níveis 1 e 2 de uma escala de 5 pontos – seria como tirar menos de 4 numa prova.
Embora sem novidades, alguns aspectos do estudo chamam a atenção. O primeiro é que houve um aumento gigantesco na taxa de escolaridade da população nesses últimos 18 anos, período em que o Inaf vem coletando dados. Apesar disso, continua baixo o nível de pessoas funcionalmente alfabetizadas. Na população total, o nível de analfabetismo funcional se reduziu de 39% para 30% da população entre 2001 e 2018. Nos níveis elementar e intermediário fomos de 48% para 59%, ou seja, cerca de 10% morreram ou deixaram de ser analfabetos funcionais e se encontram no nível elementar de alfabetismo funcional.
Também chama atenção a porcentagem de adultos no nível proficiente – apenas 12% -, e isso não mudou ao longo deste século, apesar do aumento da taxa de escolaridade. Este dado é ainda mais grave do que parece:  apenas 34% das pessoas com nível superior encontram-se nesse nível. Este dado combina com o que sabemos do Pisa – apenas 16% dos brasileiros atingem o nível 3 do Pisa, nível considerado minimamente adequado para o indivíduo fazer qualquer tipo de reflexão a partir de uma leitura.
O nível de escolaridade da força de trabalho continua alarmante. Essencialmente a base do setor produtivo é formada por um exército de Brancaleone: 25% dos trabalhadores são analfabetos funcionais e outros 25% possuem o nível elementar, são capazes apenas de “selecionar uma ou mais unidades de informação observando certas condições, em textos diversos de extensão média realizando pequenas inferências”. Ou seja: são incapazes de ler e compreender um manual de instruções. É mais ou menos o que se passava na Inglaterra no século XVIII.
Os relatórios do Inaf – sempre de altíssima qualidade – podem ser lidos como capítulos adicionais de Cem Anos de Solidão: nada muda em Macondo. As iniciativas para ajudar os adultos não apresentam resultados. E o sistema escolar, embora produza mais diplomados, não produz mais gente capaz de usar a leitura para fazer bom uso dela.
Os que advogam a expansão desenfreada da educação encontram aqui um rico material para reflexão: não adianta expandir sem qualidade. Educação de adultos tal como é oferecida também não produz impacto. O setor produtivo não tem sido capaz de qualificar as pessoas no trabalho. Remediar continua sendo mais caro e menos eficaz do que prevenir. Mas o sistema educacional não tem funcionado como um bom preventivo: 70% dos que já concluíram as séries iniciais são analfabetos funcionais e 33% dos que concluíram as séries finais encontram-se nesse mesmo nível. Olhando no reverso do espelho: apenas 1%, 4% e 12% dos concluintes das séries iniciais, finais e ensino médio, respectivamente, atingem o nível proficiente. Este é o Brasil em que nos encontramos em 2018.

Não tenha medo: Mercado de trabalho valoriza diploma EAD...

Uma dúvida recorrente de quem pensa em se matricular em um curso de graduação ou pós-graduação no formato EAD (Educação a Distância) é se o diploma é bem-visto no mercado de trabalho. Segundo Eliane Aere, diretoria da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Digital), na percepção dos departamentos de RH e das lideranças das empresas, a modalidade EAD tem sido tão aceita quanto a presencial. "Se é presencial ou EAD não faz a menor diferença na hora do processo seletivo. O que analisamos é a carga horária e a avaliação do curso no MEC", diz a especialista, ressaltando que, com exceção das áreas de saúde e engenharia, que exigem o aprendizado prático em laboratórios, praticamente todas as disciplinas ministradas online têm certificação reconhecida nas empresas.

iStock

Na opinião dela, a EAD abriu portas. "Os cursos a distância estão permitindo que mais pessoas, que até há pouco tempo não tinham condições de fazer uma faculdade ou pós-graduação, conquistem um diploma que refletirá positivamente na sua carreira", declara. Zilma Carvalho, coordenadora dos cursos de pós-graduação EAD do Senac, diz que grande parte dos que optam pela formação a distância já atua no mercado de trabalho e precisa de flexibilidade. "Muitos alunos que estão fazendo pós-graduação já são profissionais e costumam fazer muitas viagens de negócio, impossibilitando o ingresso em um curso presencial. Com a EAD, ele pode acessar a aula de qualquer lugar e concluir o seu curso tranquilamente." Para ela, alunos que concluem um curso a distância mostram uma grande capacidade de concentração e organização. "Quem opta por esta modalidade deve ser organizado e dedicado porque esses cursos têm um conteúdo mais extenso do que os presenciais", diz. Paulo de Tarso, vice-presidente de educação continuada do Grupo Kroton, é da mesma opinião. "O aluno precisa ser muito mais disciplinado para concluir o curso. No presencial, tem o professor que está em cima para ele não desviar o foco e prestar atenção na aula. No EAD, ele precisa se preparar para assistir a aula porque não terá o apoio de ninguém na hora", afirma. Ele ainda destaca que os cursos da modalidade EAD oferece um conteúdo mais denso. "O conteúdo teórico do EAD é muito mais completo do que o das aulas presenciais. O professor consegue transmitir todos os conceitos sem interrupção e com a mesma intensidade. Dificilmente ele conseguiria atingir o mesmo resultado em um curso presencial com muitos alunos", declara Tarso.

Bullying - Brasil não possui lei nacional contra a prática...

Na semana passada, a divulgação do caso de uma ONG que pagou a cirurgia plástica de uma adolescente vítima de bullying gerou polêmica nos Estados Unidos.
Especialistas criticaram a medida, argumentando que as vítimas devem aprender a se defender da situação. 

Direto ao ponto: Ficha-resumo 

A estudante Nadia Ilse, 14 anos, sofria assédios diários na escola por causa de sua aparência. Os colegas a chamavam de “Dumbo”, em razão do tamanho de suas orelhas. Ela chorava, sentia vergonha de si mesma e dava desculpas para faltar às aulas. 
Quando a mãe descobriu, procurou ajuda na Little Baby Face Foundation, com sede em Nova York. A ONG decidiu financiar a operação, que aconteceu em junho.Segundo a organização, a cirurgia era necessária para recuperar a autoestima da adolescente. 
Bullying (do inglês bully, valentão) é uma palavra nova para uma prática antiga e recorrente em escolas. O termo define atos de violência física ou psicológica praticados com frequência contra um indivíduo, que não consegue se proteger. 
As vítimas são crianças e adolescentes que se distinguem do grupo pela aparência física, comportamento introspectivo ou pertencimento a grupos minoritários (étnicos, sociais, sexuais ou religiosos).
As agressões são classificadas em três tipos: emocional, verbal e física. Elas acontecem, na maior parte dos casos, sem o conhecimento de professores e pais. O bullying ocorre principalmente na escola, mas também na família, na vizinhança ou no trabalho. O surgimento das redes sociais trouxe outra vertente, o cyberbullying, que é quando a pessoa sofre assédio via internet, por e-mails, blogs, comunidades virtuais ou celulares.

Massacres 

Foi somente nos últimos anos que os casos passaram a chamar a atenção de educadores, da imprensa e de autoridades. Os primeiros movimentos antibullying surgiram em países de língua inglesa – Estados Unidos, Canadá e Reino Unido – nos anos 2000. Campanhas de prevenção ganharam a simpatia de personalidades como a cantora pop Lady Gaga. Suicídios e massacres envolvendo vítimas de bullying começaram a ser relatados a partir dos anos 1990, nos Estados Unidos.
Um dos casos mais conhecidos de suicídio é o da estudante Phoebe Prince, 15 anos. Ela se matou em 14 de janeiro de 2010 após sofrer durante meses a perseguição de colegas de classe, por conta de sua origem irlandesa. A tragédia teve repercussão internacional e levou o Estado de Massachusetts a criar uma lei contra o bullying (outros 47 Estados americanos possuem legislação semelhante). 
Vítimas também podem se tornar agressores. Nos Estados Unidos, dois adolescentes autores do Massacre de Columbine, que deixou 15 mortos em 1999, assim como o atirador do Massacre de Virgínia (33 mortos), em 2007, diziam-se alvos de chacotas dos colegas. O mesmo teria acontecido com o responsável pela morte de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, ocorrido no ano passado.

 Legislação.

Há duas abordagens no combate ao bullying: a pedagógica e a jurídica ou penal. Educadores e pedagogos acreditam que o problema deve ser tratado com educação, junto aos professores, alunos e familiares dos envolvidos. Hoje existem programas especiais nas escolas públicas e privadas que previnem, identificam e tratam o problema. Na esfera jurídica, não há no Brasil uma lei nacional específica sobre o tema. Mas nos últimos anos foram criadas leis municipais e estaduais, além de projetos de leis federais que tramitam no Congresso. Na cidade de São Paulo, por exemplo, um lei sancionada em 2009 pelo prefeito Gilberto Kassab determina que escolas de ensino básico devem incluir, em seu projeto pedagógico, medidas de prevenção e combate ao bullying. O Congresso também deve votar este ano a reforma do Código Penal, que inclui a criminalização do bullying. 
A lei prevê penas de 1 a 4 anos de prisão, para maiores de 18 anos. No caso de os agressores serem menores, serão cumpridas medidas socioeducativas. A proposta foi aprovada por uma comissão de juristas e o projeto tramita no Senado.
Hoje, os processos judiciais envolvendo bullying são baseados em leis como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a Constituição, o Código Penal e até o Código de Defesa do Consumidor, que responsabiliza a escola pela segurança dos alunos. 
Quase um terço (30,8%) dos estudantes brasileiros já foram vítimas de bullying, de acordo com uma pesquisa do IBGE realizada em 2009. A maior parte (35,9%), segundo a pesquisa, aconteceu em escolas particulares. Outro levantamento, feito em 2010, revelou que a forma mais comum acontece via internet.
O assunto é importante porque envolve discussões sobre educação, preconceito, intolerância e violência. Votações no Congresso, campanhas e a atenção da imprensa aos casos de bullying manterão o interesse da sociedade no tema.

FONTE:https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/bullying-brasil-nao-possui-lei-nacional-contra-a-pratica.htm

Volta às aulas aos 90 anos: os idosos que decidiram ir à faculdade...

No Brasil, há 18,9 mil universitários que possuem entre 60 e 64 anos e mais 7,8 mil acima dos 65. Nos dias em que tem aula, o aposentado Elpídio Neto de Oliveira, de 70 anos, coloca a mochila nas costas e caminha por 50 minutos, com botinas surradas pelo tempo, até o campus da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), em Alto Araguaia (MT). Ele ingressou na unidade de ensino no inicio de 2016. Atualmente, cursa o quinto semestre de Letras - ao todo, são oito.
O aposentado Carlos Augusto Manço também retomou os estudos na terceira idade. Aos 90 anos, iniciou o curso de Arquitetura e Urbanismo no Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Ele concluiu o ensino médio na juventude e desde então sonhava em cursar uma universidade. Porém, dificuldades financeiras o impediam de concretizar o sonho.

Centro Universitário Barão de Mauá

Aos 67 anos, a agente de Educação Infantil Dulce Araújo conquistou o diploma de Pedagogia. Ela conta que o pai e o marido a impediram de estudar quando era mais nova. Em razão disso, passou grande parte da vida se dedicando à família. Décadas mais tarde, o desejo que tinha desde a infância se realizou: foi aprovada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Moisés Bandeira/Assessoria Unemat

Elpídio, Carlos e Dulce são retratos de brasileiros que não tiveram a oportunidade de fazer um curso superior na juventude e aproveitaram a terceira idade para estudar. No Brasil, há 18,9 mil universitários com idades entre 60 e 64 anos. Na faixa etária acima dos 65, o número é de 7,8 mil pessoas. Os dados incluem instituições públicas e privadas. As informações constam no Censo de Educação Superior de 2017, levantamento mais recente. Os dados não especificam a quantidade de idosos que estão fazendo curso superior pela primeira vez.
Para Maria Candida Soares, pesquisadora em envelhecimento humano pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), cursar uma universidade pode trazer benefícios aos idosos, como a atualização de conhecimentos, visão de um novo momento sociocultural e a possibilidade de buscar uma nova carreira.
"Muitos conseguem ter acesso ao tão sonhado diploma universitário apenas na velhice. Mesmo que não seja para o exercício de uma atividade profissional, eles podem buscar uma universidade pelo prazer, mérito e reconhecimento em ter concluído o ensino superior, algo que ainda não está disponível para todos os indivíduos", diz à BBC News Brasil.
A população idosa do Brasil tem crescido a cada ano. De 2012 a 2017, a quantidade de idosos aumentou em 18% no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para as próximas décadas, a estimativa é de que o número cresça ainda mais.

Arquivo pessoal

Segundo o IBGE, pessoas com 65 anos ou mais corresponderão a 25,5% da população em 2060. Em 2018, tal faixa etária corresponde a 9,2%. "Nessa perspectiva de aumento da população idosa, o contexto nas universidades deverá ser alterado com o passar dos anos", diz Maria Candida. Segundo ela, cada vez mais se tornará comum a presença de idosos em cursos superiores.

'Não queria ser chamado de analfabeto'

 Elpídio abandonou a escola em 1964, aos 16 anos. Na época, fazia o quinto ano do ensino fundamental. "Tive que largar os estudos para trabalhar, porque meus pais ficaram doentes e eu precisava ajudar em casa", relata à BBC News Brasil. Desde então, não parou mais de trabalhar na propriedade rural da família, em Ponte Branca (MT).
Quase cinco décadas depois, o idoso se aposentou e decidiu retomar os estudos. O principal motivo que o levou a voltar às salas de aula, conta, foram comentários que ouviu durante a vida. "Muitas pessoas falavam que eu era analfabeto e isso me deixava encabulado", declara.

Isabella Bucci

As críticas o motivaram a se matricular no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). "Já estava aposentado e tinha mais tempo para enfrentar os estudos. Antes, a minha vida era só trabalhar na roça." Em três anos, concluiu o ensino fundamental e o médio, por meio do EJA. Depois, se inscreveu no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e conseguiu uma vaga no curso de licenciatura em Letras, com habilitação em português e inglês.
Ele comenta que escolheu o curso porque sempre quis ser professor. "Talvez eu não chegue a dar aulas. Mas se puder, vou dar." Para se dedicar aos estudos, o idoso se mudou de cidade. Ele deixou a região rural de Ponte Branca e foi para a área urbana de Alto Araguaia, junto com a esposa, com quem vive há 40 anos. "Eu tive que sair da minha cidade para ficar mais próximo da universidade", justifica. Há três anos, o casal, que não tem filhos, mora em um conjunto habitacional. Ele possui certa dificuldade para compreender os conteúdos das aulas, mas afirma que sempre se esforça para ter um bom desempenho. "As minhas ideias são curtas e não entendo com facilidade os conteúdos, mas a disciplina vai passando e vou aprendendo." A casa do aposentado é distante do campus da universidade. Ele estuda no período noturno, suas aulas começam às 19h. Diariamente, ele sai de casa às 17h30 para fazer a caminhada até a Unemat. "Aqui onde moro não tem ônibus que leva para a universidade. As únicas opções são ir andando ou pagar táxi ou mototáxi. Quando estou atrasado, chamo um mototáxi, mas não é sempre, porque não tenho dinheiro pra isso", explica o universitário, que tem a aposentadoria como única fonte de renda.
Mesmo com as dificuldades, o aposentado, que planeja se formar no fim de 2020, não falta a nenhuma aula. "Sei que se eu faltar, vou perder o conteúdo e isso pode me prejudicar. Então, mesmo que chova, dou um jeito de ir. Tenho que me dedicar para terminar o curso, porque quando me formar, pelo menos vou saber que não vou morrer analfabeto", diz.
Arquitetura aos 90 anos A dedicação aos estudos também é uma característica de Carlos Augusto. Aos 91 anos, ele concluiu, em dezembro, o segundo semestre de Arquitetura e Urbanismo. Desde a juventude, o idoso planejava fazer um curso superior. Ele adiou o sonho por mais de meio século. "Devido à situação financeira, não consegui cursar uma universidade antes. Eu tinha que trabalhar e, além disso, teria de sair de Ribeirão Preto, onde sempre morei, para fazer uma faculdade ", comenta.
A escolha pela Arquitetura e Urbanismo foi motivada pela profissão que ele exerceu ao longo da vida. Carlos aprendeu a desenhar na juventude, durante o primeiro emprego, logo após servir ao Exército. Anos mais tarde, fez curso profissionalizante de projetista em uma escola técnica. Por 35 anos, trabalhou como desenhista profissional no câmpus da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. No local, ajudou a projetar áreas da instituição de ensino e do Hospital das Clínicas, pertencente à USP.
No começo de 2018, Carlos, agora viúvo, pai de dois filhos, com oito netos e quatro bisnetos, decidiu retomar o sonho da juventude. Ele confessa ter ficado em dúvida sobre a área em que iria estudar. "Eu criava orquídeas, então, pensei em fazer Biologia. Mas como a minha profissão da vida foi desenhista, optei pelo ramo da Arquitetura." A família do aposentado ficou receosa, a princípio, com o fato de ele iniciar um curso superior aos 90 anos. "Nossa maior preocupação era em relação ao aprendizado dele com os jovens, pois a educação era diferente há 70 ou 80 anos", diz a confeiteira Isabela Bucci, uma das netas de Carlos.
O idoso foi aprovado no vestibular. Em razão da idade, a universidade concedeu bolsa de 50% a ele. Carlos paga cerca de R$ 800 por mês, com recursos da aposentadoria. Os parentes se revezam no transporte do idoso, que estuda no período noturno, à universidade. Assim como Elpídio, ele também não gosta de faltar às aulas. Entre os colegas de turma, ficou conhecido pelo apelido de Juventude. Carlos conta que tem boa relação com os jovens da turma e os auxilia com o conhecimento que adquiriu ao longo da carreira de projetista. Eles também o ajudam. "Eu sei fazer quase tudo. Mas muitas vezes esqueço algo e recorro à molecada da sala", comenta, aos risos.
A rotina pacata de outrora deu lugar ao cotidiano atribulado. O idoso, porém, não reclama. "Acabou a 'forga' que eu tinha antes da universidade", diverte-se. Para Carlos, a maior dificuldade tem sido rever conteúdos que havia aprendido na carreira. "Estou aprendendo de outra maneira sobre assuntos que já conhecia", explica. Depois de formado, ele não planeja voltar a trabalhar, em razão da idade. Ele afirma que o principal objetivo ao entrar na universidade foi realizar o sonho de ter um curso superior.
Planos adiados, mas nunca esquecidos O sonho de fazer um curso superior também acompanha Dulce Araújo desde a juventude. Na infância, ela conta que costumava passar com o pai em frente ao prédio da UERJ, nas proximidades do Maracanã, e ficava encantada. "Aquela universidade era o meu sonho. Eu tinha paixão quando passava em frente àquele prédio cinza", diz à BBC News Brasil.
Ela concluiu o ensino fundamental, mas relata que foi impedida pelo pai e pelo então namorado de seguir para o ensino médio. "Parei de estudar quando comecei a me relacionar com o meu marido. Ele não queria que eu continuasse na escola. O meu pai era militar e concordava com ele", lamenta. Ela se casou, teve dois filhos e tornou-se dona de casa. Em 2004, aos 54 anos, Dulce começou a fazer diferentes cursos profissionalizantes, como um de informática. Em uma das aulas, um professor a incentivou a fazer o ensino médio. "Ele disse: 'volta, o cérebro da gente é uma caixinha de surpresas. Se você retornar, as coisas vão voltando aos pouquinhos'", relembra.

As palavras do docente a incentivaram a procurar o programa Educação de 
No período, ela e o marido chegaram a se separar. "Até hoje não sei o motivo da separação. Ele apenas me disse que não queria mais. Não acho que tenha a ver com o fato de eu ter começado a trabalhar e estudar, porque ele não comentava nada sobre isso." Por volta de 2007, ela prestou concurso público para agente de Educação Infantil, na capital do Rio de Janeiro, e foi aprovada. Cinco anos depois, aos 62 anos, passou a exercer a função em uma creche da cidade. "A idade nunca me impediu de nada. Não gosto de ficar parada e precisava trabalhar. O concurso foi muito importante para mim."Em 2012, ela fez um curso pré-vestibular para se preparar para disputar uma vaga na UERJ. No mesmo ano, fez a prova e passou para Pedagogia. "Quando soube da aprovação, foi uma emoção muito grande", relembra. Em 2013, ela iniciou o curso superior. "No começo, eu tinha um pouco de vergonha. Mas depois percebi que eu tinha o mesmo direito de estar ali que os mais jovens", diz.
Dulce conta que a universidade foi um período importante em sua vida. "Eu aprendi muita coisa boa. Havia várias faixas etárias na turma. Eu era a mais velha, mas isso não me afetava. Nunca tive nenhuma crítica por estar ali." Ela se recorda que um dos dias mais emocionantes foi a primeira vez em que entrou no prédio da UERJ, nas proximidades do Maracanã. Para ela, foi uma forma de realizar o sonho de infância. "Foi muito gratificante estar ali como estudante", diz, com a voz embargada.
A idosa teve de conciliar a função de servidora pública com a vida universitária. Dulce trabalhava no período vespertino e estudava à noite. "Era complicado, mas dava certo. Muitas vezes, eu chegava atrasada, mas geralmente os professores compreendiam. Eu ia do serviço direto para a universidade", conta. A rotina de estudos, segundo ela, era intensa. "Eu me dedicava muito. Havia dias em que chegava em casa à noite e ficava até de madrugada estudando as apostilas."
Em julho do ano passado, o marido dela morreu. Eles haviam retomado o casamento, quando ele ficou doente. Ela passou a cuidar do homem nos últimos meses de vida dele. "Quando ele faleceu, eu tinha que entregar a minha monografia, mas não estava conseguindo. Os professores, então, entenderam a minha situação e estenderam o prazo", comenta. Em setembro, ela apresentou a monografia. "Fui aprovada com nove. Fiquei muito feliz", diz.
m outubro de 2017, ela se formou. "Nunca reprovei em nenhuma disciplina. Era para ter concluído o curso antes, mas as paralisações atrasaram o cronograma", pontua. A cerimônia de colação de grau foi um dos momentos mais emocionantes para a idosa. "Foi uma sensação muito boa. Chorei muito. A minha neta, de um ano, ficava me chamando quando eu estava no palco. Eu chorando e ela me chamando. Ainda me emociono quando lembro", relata.
Hoje com 68 anos, Dulce continua trabalhando como agente de Educação Infantil em uma creche e pensa em se tornar professora do ensino fundamental. "Até os 70 anos, posso fazer concursos. Se surgir a oportunidade, farei, sim", comenta. Ela afirma que não pensa em se aposentar. "Não gosto de ficar em casa, parada. Gosto do meu trabalho e de estar sempre fazendo atividades, como ir ao cinema ou sair com amigos", diz. Em 2019, ela planeja fazer pós-graduação.


Aprendizado 

Estudiosa sobre a velhice, Maria Candida explica que a presença de alunos idosos é também uma forma de aprendizado para os mais jovens. "Eles trazem benefícios a toda a comunidade acadêmica. A vivência com os idosos desmistifica tabus e concepções equivocadas. Esse é um ganho fantástico para os jovens, que terão outro olhar e uma concepção diferente sobre o envelhecimento humano e o indivíduo idoso."

 "Há uma demanda reprimida de idosos que gostariam de cursar graduação ou pós-graduação somente pelo prazer do estudo e da aquisição de novos conhecimentos. Mas ainda estamos condicionados a receber alunos que irão se formar para ingressar no mercado de trabalho, como força produtiva. Muitas vezes, é difícil compreender o estudo pelo prazer de apenas estudar", acrescenta.

Para Dulce, os idosos não devem ter medo de ingressar em uma universidade. "Eu tinha esse temor, mas hoje vejo que não devemos pensar que a idade nos impede. Estudar é uma forma de nos sentirmos atualizados e úteis. Além disso, você melhora sua saúde física e mental." Elpídio reforça que é possível iniciar um curso superior em qualquer fase da vida. "Nunca é tarde. Sempre dá tempo", diz.

FONTE:https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2019/01/02/volta-as-aulas-aos-90-anos-os-idosos-que-decidiram-ir-a-faculdade.htm

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Festival de Matemática movimenta escolas estaduais

NA ESCOLA MARIA VIDAL NOVAES ,FOI ASSIM...

Em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, mais de 400 estudantes do ensino fundamental da Escola Estadual Maria Vidal Novaes participaram de atividades e oficinas de xadrez humano, dominó com caixa de leite, jogos matemáticos interativos de internet e cartazes com pinturas cubistas de artistas que utilizam ou utilizaram figuras geométricas em seus trabalhos, como o russo Wassily Kandinsky, o espanhol Pablo Picasso e o brasileiro Romero Brito.

As escolas da rede estadual de ensino participam, ao longo deste mês, de diversas atividades relacionadas ao Festival de Matemática, que faz parte do Biênio da Matemática 2017-2018. Durante o mês de agosto as escolas estaduais desenvolvem oficinas, apresentações, jogos e cursos que trabalham conceitos da disciplina de modo prático e criativo.

As atividades incluem caça ao tesouro, jogos matemáticos, xadrez humano, bingo matemático, oficinas de pipa, origami, circuito matemático e exposições de textos matemáticos.

As ações são acompanhadas pela equipe de Matemática do Departamento de Educação Básica (DEB) e dos 32 Núcleos Regionais e da Secretaria de Estado da Educação.

Em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, mais de 400 estudantes do ensino fundamental da Escola Estadual Maria Vidal Novaes participaram de atividades e oficinas de xadrez humano, dominó com caixa de leite, jogos matemáticos interativos de internet e cartazes com pinturas cubistas de artistas que utilizam ou utilizaram figuras geométricas em seus trabalhos, como o russo Wassily Kandinsky, o espanhol Pablo Picasso e o brasileiro Romero Brito.

Antes de colocar a mão na massa, os alunos receberam em sala de aula todo o conteúdo matemático previsto no currículo escolar. “A principal contribuição dessas atividades foi desenvolver neles o raciocínio lógico para que consigam observar e colocar na prática o que aprendem nos livros”, disse a diretora Elizabeth Gozzo Bandeira.

A estudante Jéssica Valêncio, 15 anos, do 9° ano, desenvolveu junto com sua colega, a estudante Fernanda Schinitz, 16 anos, o blog “Festival de Matemática” para explicar a história da disciplina. “O objetivo do blog é desafiar os leitores a se aprofundar nos conteúdos matemáticos e desmistificar essa ideia de que a matemática é uma coisa chata como a maioria das pessoas pensa. Ela pode ser legal, sim”, disse Jéssica.

Seu colega, Matheus Gabriel Camilo Cunha, 14 anos, também do 9° ano, pesquisou e ajudou a confeccionar a oficina do xadrez humano. “Achei bastante interessante porque conseguimos abrir um espaço para os alguns que possuem certa dificuldade com a disciplina aprender mais de uma maneira interativa. É uma oportunidade diferente de ensinar e aprender matemática”.

GEOMETRIA – No Colégio Estadual do Campo Professora Maria Gomes Bizerra, no distrito de Yolanda, em Ubiratã (no Centro Oeste), os estudantes do 6º, 7º e 8º anos participaram da oficina de “Geometria em Dobras”, na qual os alunos foram desafiados a produzir figuras geométricas usando conceitos matemáticos vistos em sala de aula. “A intenção foi estimular o aprendizado da Matemática de forma lúdica e significativa”, explicou a professora Rosemeire Gomes.

No município de São José da Boa Vista (Norte Pioneiro), os estudantes do Colégio Estadual Maria Isabel Guimarães, Escola Estadual do Campo Maria Anésia Dias e Escola Estadual Newton Sampaio promoveram na terça-feira (22) diversas atividades que proporcionaram aos estudantes práticas pedagógicas que estimularam o aprendizado matemático.

Além dos estudantes, as oficinas envolveram as equipes diretivas e pedagógicas, professores funcionários. Foram desenvolvidas oficinas de construção de sólidos geométricos, String Art, xadrez humano, exposição modelagem matemática, como, por exemplo, ferramentas na construção de móveis utilitários e apresentação da Dança do Bambu – relacionando conteúdos de geometria.

Em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, mais de 400 estudantes do ensino fundamental da Escola Estadual Maria Vidal Novaes participaram de atividades e oficinas de xadrez humano, dominó com caixa de leite, jogos matemáticos interativos de internet e cartazes com pinturas cubistas de artistas que utilizam ou utilizaram figuras geométricas em seus trabalhos, como o russo Wassily Kandinsky, o espanhol Pablo Picasso e o brasileiro Romero Brito.

A estudante Jéssica Valêncio, 15 anos, do 9° ano, desenvolveu junto com sua colega, a estudante Fernanda Schinitz, 16 anos, o blog “Festival de Matemática” para explicar a história da disciplina. “O objetivo do blog é desafiar os leitores a se aprofundar nos conteúdos matemáticos e desmistificar essa ideia de que a matemática é uma coisa chata como a maioria das pessoas pensa. Ela pode ser legal, sim”, disse Jéssica.

FONTE:http://www.educacao.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=14894&evento=3844