sexta-feira, 26 de julho de 2019

"Obstáculos à educação"

"Todos percebem que o problema da educação de base no Brasil parece estar nos baixos salários e formação dos professores. Mas também está na baixa qualidade de equipamentos e edificações e na gestão deficiente de escolas; no descuido com o acompanhamento dos alunos pelos governantes, gestores, familiares e professores. Mas poucos percebem que há obstáculos mais profundos provocando essas causas."



"O primeiro está no sentimento de que não somos vocacionados para estarmos entre os melhores do mundo em educação. Somos e queremos continuar sendo os melhores com os pés, não com o cérebro. Todos lembramos da derrota por 7 x 1 que levamos da Alemanha, em 2014, mas raros lembram e lamentam que ao longo de 130 anos de República ao menos 20 milhões de adultos brasileiros morreram analfabetos, e que outros 11 milhões estão vivos hoje sem ao menos reconhecer nossa bandeira, por não saberem ler “Ordem e Progresso”."

"O descontentamento de uma pessoa com a opção do filho pelo magistério decorre do sentimento nacional de que nos falta vocação para a educação"

"É como se isso fosse uma fatalidade a que estaríamos condenados. Mesmo quem investe na escola dos filhos, quer mais assegurar o salário que eles terão, do que fazê-los intelectuais educados. Por isso, lamentam quando o filho diz que quer ser filósofo ou professor, no lugar de seguir carreira que permita ganhar bem. O descontentamento de uma pessoa com a opção do filho pelo magistério decorre do sentimento nacional de que nos falta vocação para a educação.

Um segundo obstáculo é mais fácil de explicar. Depois de 350 anos de escravidão, a mente brasileira ainda acha que educação de qualidade não é para todos. No passado, senhores e escravos viam educação como privilégio de brancos livres. Hoje, ricos e pobres continuam vendo a escola de qualidade como privilégio de classes média e alta. Não sendo para todos, a educação de qualidade se limita a uma parcela da sociedade; e essa parcela não precisa também ser muito educada porque, se muitos estudam pouco, os poucos que estudam não precisam estudar muito."

"É como se isso fosse uma fatalidade a que estaríamos condenados. Mesmo quem investe na escola dos filhos, quer mais assegurar o salário que eles terão, do que fazê-los intelectuais educados. Por isso, lamentam quando o filho diz que quer ser filósofo ou professor, no lugar de seguir carreira que permita ganhar bem. O descontentamento de uma pessoa com a opção do filho pelo magistério decorre do sentimento nacional de que nos falta vocação para a educação.

Um segundo obstáculo é mais fácil de explicar. Depois de 350 anos de escravidão, a mente brasileira ainda acha que educação de qualidade não é para todos. No passado, senhores e escravos viam educação como privilégio de brancos livres. Hoje, ricos e pobres continuam vendo a escola de qualidade como privilégio de classes média e alta. Não sendo para todos, a educação de qualidade se limita a uma parcela da sociedade; e essa parcela não precisa também ser muito educada porque, se muitos estudam pouco, os poucos que estudam não precisam estudar muito."

"Cristovam Buarque é professor emérito da 
  Universidade de Brasília."

FONTE: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/obstaculos-a-educacao/

"A nova Política Nacional de Alfabetização e o que diz a ciência da leitura"

"Ao final do século XX, no Brasil, fechou-se o viveiro do analfabetismo adulto. Isso porque, na década de 1980, o acesso à escola estava se universalizando para crianças com idades entre 7 e 14 anos. Em 1985, o MOBRAL, programa focado em alfabetização de adultos, deu lugar à Fundação Educar, direcionada à Educação de Jovens e Adultos.

A partir dos anos 1990, todavia, começou a ficar patente que nos defrontaríamos com outro problema: o analfabetismo funcional escolarizado, ou seja, pessoas que frequentaram o ensino formal, até superior, mas têm dificuldades para entender textos simples.

No Brasil, 48% da população de 15 a 24 anos apresentou níveis de alfabetismo funcional rudimentar e elementar no INAF 2018, o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional, divulgado pela Ação Educativa e Instituto Paulo Montenegro. Essa condição - analfabetismo funcional escolarizado e baixos níveis de alfabetismo funcional – certamente atrasa o desenvolvimento do país. Isso começou a acontecer em nosso país antes mesmo que tivéssemos debelado o analfabetismo adulto, cuja taxa agora cai mais lentamente."
"Aqui, embora 96% da população portadora de diploma de ensino superior seja funcionalmente alfabetizada, apenas 34% dela atinge nível pleno de proficiência na escala do INAF 2018.

Imagem: Reprodução | Pixabay.

Pode ser surpreendente para os leigos, mas o problema do baixo desempenho em leitura, de baixos níveis de alfabetismo funcional, ainda que em proporção muito inferior ao que ocorre em nossa experiência, acomete também países desenvolvidos.

Nossa situação é diferente da deles. Não somente em função da magnitude do problema. Nesses países o avanço da pesquisa científica pôs à disposição da sociedade meios para debelar o problema. Políticas educacionais incorporaram o estado da arte em ciência cognitiva da leitura de modo a manejá-lo e contê-lo. Isso, todavia, não é feito sem obstáculos. E nesse caso somos semelhantes.

O Brasil se atrasou muito nessa questão. A comparação com um país desenvolvido como os EUA é, mais uma vez, surpreendente. Mas esclarecedora.

Em seu número de março de 2002, a revista Scientific American publicou artigo escrito por cinco dos maiores pesquisadores da ciência cognitiva da leitura. O resumo de apresentação do artigo dizia: não é de hoje que educadores debatem a melhor maneira de ensinar crianças a ler. A pesquisa científica mostra, todavia, que um método de ensino de leitura altamente popular entre eles é fundamentalmente ineficaz."
"Em 2003 e 2011, publicações brasileiras, de iniciativa da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e da Academia Brasileira de Ciência, resumiram, e puseram à disposição do país, uma atualização de nível mundial dos achados de pesquisa científica sobre leitura. Mas as políticas educacionais de alfabetização e ensino de leitura continuaram defasadas desses conhecimentos.

E hoje, em 2019, entre educadores brasileiros, continua a ocorrer o que a Scientific American informava ocorrer entre educadores dos EUA em 2002.

Algo, no entanto, se moveu. Sob os auspícios da Secretaria Nacional de Alfabetização do Ministério da Educação uma nova Política Nacional de Alfabetização, dessa vez alinhada com o estado da arte em ciência cognitiva da leitura, foi desenhada e está em processo de implantação.

Ela define o que é ALFABETIZAR nos termos da ciência cognitiva da leitura, preconiza o uso de evidências científicas e estabelece como princípio a ênfase em seis componentes essenciais à alfabetização, do mesmo modo, em consonância com o estado da arte em ciência cognitiva da leitura: consciência fonêmica, instrução fônica sistemática, fluência em leitura oral, desenvolvimento de vocabulário, compreensão de textos e produção escrita.

É nosso dever conhecê-la e apoiá-la.

* Luiz Carlos Faria da Silva é doutor em Educação pela Universidade de Campinas (Unicamp) e professor no Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM)."

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/a-nova-politica-nacional-de-alfabetizacao-e-o-que-diz-a-ciencia-da-leitura/

"A universidade como portal para o mundo"

"Em um mundo de culturas cada vez mais expostas e distâncias cada vez mais curtas, a internacionalização da educação superior vem rapidamente deixando de ser uma opção para se tornar absoluta necessidade para toda universidade comprometida com a qualidade de ensino, pesquisa e extensão.

Franklin Hall, da Kent State University – EUA.

Os grandes desafios modernos em temas como energia, sustentabilidade, cidades, saúde, tecnologia da informação e direitos humanos, embora exerçam impacto local, são de alcance global, portanto suas soluções dependem da formação de líderes com visão e presença globais. Assim, uma universidade falha em sua missão se não formar cidadãos e profissionais capazes de atuar em diferentes contextos e culturas.

O desafio é considerável: internacionalizar uma universidade – em especial, em países não-anglófonos – é um processo contínuo de mudança cultural que exige tempo, recursos e profundo comprometimento institucional. A internacionalização não ocorre livre de riscos, como a fuga de cérebros ou a perda da conexão com a comunidade local. Neste contexto complexo, as universidades precisam de unidades administrativas dedicadas a facilitar processos e orientar e promover a internacionalização como meio para se atingir a excelência na atividade acadêmica sob uma perspectiva global em todos os seus níveis: graduação, pós-graduação, pesquisa, extensão e inovação.

"O esforço vale a pena: o impacto da experiência internacional fica evidente no testemunho de quem a viveu, na qualidade da formação técnico-acadêmica mas, principalmente, como experiência transformadora. E para aqueles que não tem a oportunidade de viajar – apenas uma pequena fração da comunidade universitária em qualquer país do mundo é móvel –, é preciso trazer o mundo para dentro de casa, em um processo de democratização denominado “internacionalização em casa.”

A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) assumiu esse desafio quando elegeu a internacionalização como prioridade, orientada pelos valores fundamentais da multiculturalidade, inclusão, inovação e presença solidária. Esta decisão está traduzida no Plano Institucional de Internacionalização, vigente desde 2016, que elenca uma série de estratégias. Desde a implementação do plano, concebido para dar continuidade a um trabalho que se iniciou já em 2006 com a inclusão da internacionalização pela primeira vez no plano de desenvolvimento estratégico, diversos resultados já podem ser percebidos.

O programa Global Classes, por exemplo, coloca a PUCPR como a universidade brasileira com o maior número de disciplinas de graduação regularmente oferecidas em inglês, conforme dados divulgados no relatório 2019 do British Council em parceria com a Associação Brasileira de Educação Internacional (Faubai).

Já o American Academy, lançado em 2018 em parceria com a Kent State University (KSU, Ohio, Estados Unidos), traz o primeiro curso de graduação do Brasil seguindo o modelo americano de educação em liberal arts."
"Além deles, há ainda o Law International Program (LIP), programa modular da Escola de Direito que permite a internacionalização customizada dos estudantes de acordo com seus interesses e capacidades individuais, e o Business Management Program, curso de graduação em administração da Escola de Negócios que garante a todos os estudantes dupla diplomação com instituições parceiras na Europa, América do Norte e Ásia.

Todas essas iniciativas culminam com a inauguração do Campus Florence, campus da PUCPR em Florença, Itália, que marca sua presença física na Europa, na cidade italiana berço do renascimento. Ter um campus na Europa expande significativamente o raio de atuação da instituição, tanto na oferta de oportunidades para seus estudantes quanto na visibilidade voltada para a atração da comunidade internacional. A proposta do Campus Florence é de se tornar um hub de atração de estudantes, professores e pesquisadores para um ambiente acadêmico verdadeiramente multicultural e inclusivo.

Internacionalizar uma universidade não é um processo natural e espontâneo; pelo contrário, são necessários comprometimento e recursos para superar barreiras em um país não-anglófono de pouca tradição de abertura global em diversos setores da sociedade.

E embora o MEC atualmente favoreça a criação de cursos de graduação e pós-graduação em diferentes modelos experimentais, o reforço na disseminação da língua inglesa – como fator de inclusão internacional – e a adoção de uma postura de maior abertura para a comunidade internacional certamente favorecerão a inclusão do Brasil no mundo da educação sem fronteiras.

Marcelo Távora Mira é professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e diretor do PUCPR International.

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/a-universidade-como-portal-para-o-mundo/

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Bullying nas escolas: saiba o que é, como combater e conheça alguns casos reais!

O bullying traz consequências trágicas para a saúde mental
De alguns anos para cá, o termo bullying passou a fazer parte do nosso vocabulário, principalmente entre os pais e educadores, já que este problema atinge muitas crianças e adolescentes dentro do ambiente educacional, independente de suas faixas etárias ou nível socioeconômico.
Mas, como identificar um caso de bullying escolar e qual postura deve ser adotada por pais, professores e diretores para combater esse tipo de situação?
Para responder essas e outras questões, vamos abordar os seguintes tópicos neste artigo:
  • O que é bullying;
  • Bullying nas escolas;
  • Causas do bullying escolar;
  • Consequências do bullying no ambiente escolar;
  • Como combater o bullying na escola;
  • Bullying escolar: casos reais.
É um assunto extenso e muito sério e, por isso, exige a nossa atenção urgente. Então, vamos começar?

O que é bullying?

Uma variação da palavra de língua inglesa “bully”, que pode ser traduzida para o português como o adjetivo “brigão”, ou os verbos “amedrontar” e “intimidar”. E, embora ainda não haja um significado específico para o termo, ele pode ser entendido como a ação de ameaçar, tiranizar ou oprimir uma pessoa.
Desde os anos 1990, a palavra vem sendo utilizada para descrever agressões, que podem ser físicas, emocionais ou psicológicas, praticadas por um indivíduo ou por um grupo de pessoas contra uma vítima que não possui condições ou ferramentas para se defender, causando dor, medo e sofrimento.
Bullying nas escolas: saiba o que é, como combater e conheça alguns casos reais!

Bullying nas escolas

Neste tópico, vamos falar mais especificamente sobre o bullying dentro da escola, considerando que este é um dos principais cenários desse tipo de ocorrência e, ao mesmo tempo, um espaço de formação intelectual, cultural e social, e deve contribuir ativamente combatendo qualquer episódio de violência entre os alunos.
Afinal, quando um episódio de bullying ocorre no ambiente escolar, a instituição passa a ter responsabilidade sobre o caso e deve investir em iniciativas para identificá-los e preveni-los, promovendo ações de conscientização que envolvam toda a comunidade: coordenadores, professores, pais e os próprios alunos.
Outro ponto que torna a figura da escola ainda mais importante na discussão desse assunto é a maior propensão de crianças e adolescentes a práticas de discriminação em relação àqueles que não se enquadram em padrões específicos tidos como “normais”.
Mas, como detectar situações de bullying entre os alunos? A seguir, vamos listar algumas das principais situações observadas nas escolas. Continue a leitura para saber mais!
Aluno, escola

Tipos de bullying escolar

Como já frisamos em parágrafos anteriores, toda ação que tem o intuito de ameaçar ou agredir o outro pode ser identificada como bullying. E para ajudar a identificar essas práticas ofensivas, vamos citar alguns exemplos abaixo:
  • agressões físicas ou verbais, como xingamentos e apelidos ofensivos;
  • ameaças e intimidações;
  • ataques online;
  • destruição e roubo de objetos pessoais;
  • discriminação;
  • invenção de boatos;
  • humilhação pública.
Agora que você já possui uma maior dimensão do que é o bullying e a gravidade desse assunto, vamos compreender por que esse tipo de hostilidade ainda ocorre nas instituições de ensino do país.

Causas do bullying escolar

É importante destacar logo no início deste tópico, que existem inúmeras causas para a ocorrência do bullying nas escolas brasileiras e, aqui, vamos trazer alguns dos exemplos mais comuns observados entre os jovens:
  • crianças criadas em um ambiente familiar desestruturado, com pouco respeito e falta de diálogo tendem a apresentar comportamentos mais agressivos;
  • aqueles que já foram vítimas de violência, ou de outros tipos de intimidação, podem reproduzir esse comportamento como forma de inverter a situação;
  • alunos que possuem características físicas, condições financeiras ou socioculturais diferentes da maioria acabam sendo discriminados pelos colegas;
  • estudantes com desempenho acadêmico baixo, por vezes, se sentem ameaçados por aqueles com notas mais altas e acabam refletindo seus sentimentos com atitudes ofensivas.
Além desses motivos, podemos apontar a filosofia em que “o maior e mais forte derrota o menor e mais frágil”, muito comum em nossa sociedade, como catalisador de relações altamente competitivas que podem, por sua vez, resultar em uma competição não saudável e adversidades entre os alunos.

Consequências do bullying no ambiente escolar

Menina triste
 
Independentemente da faixa etária, da classe socioeconômica ou do tipo de escola, o bullying sempre traz resultados negativos para todos.
Quando falamos em agressões físicas, a vítima pode sofrer lesões e outros danos altamente prejudiciais e, às vezes, até mesmo irreversíveis. No entanto, as sequelas mais graves são as psicológicas e emocionais que podem atingir também ao agressor.
No âmbito educacional, por sua vez, é possível observar quedas consideráveis no rendimento e na aprendizagem, além de problemas no que diz respeito à convivência em sala de aula. Para driblar essas situações, vamos apresentar, no tópico seguinte, formas de combater o bullying escolar.

Como combater o bullying na escola

Aqui, a palavra-chave é: conscientização! E, para isso, é fundamental que a escola se torne um espaço de diálogo, promovendo iniciativas que melhorem a comunicação, permitam a troca de informações e a reflexão sobre o assunto.
Nesse aspecto, existem algumas atividades práticas — pontuais e permanentes — que possibilitam a integração dos alunos, pais e educadores no combate ao bullying na escola, como mostraremos abaixo:

Eventos

Por meio de palestras com educadores e profissionais da área da saúde, debates, colóquios e mesas-redondas com temas relacionados ao bullying, seus riscos e consequências, é possível fazer um alerta e estreitar os laços entre os membros da comunidade escolar.

Materiais de divulgação

Além dos eventos que citamos acima, outra forma importante de conscientizar os alunos é por meio da distribuição de materiais gráficos como cartazes, panfletos e folhetos que abordem o tema do bullying de forma direta e didática, despertando o seu interesse.

Atividades lúdicas e artísticas

Como forma de estimular a cooperação e a proximidade entre os alunos, a escola também pode recorrer à utilização de jogos e brincadeiras, iniciativas no campo do esporte e da arte, como a música e o teatro, que podem, inclusive, trabalhar a questão do bullying como tema central.

Comunicados à famílias

Manter os pais e responsáveis bem informados sobre tudo o que acontece dentro da escola é muito importante e, certamente, contribui para identificar possíveis problemas relativos aos alunos.
Por isso, a utilização de comunicados é uma excelente maneira de dialogar com as famílias, conscientizando e mostrando a sua importância na prevenção ao bullying.

Bullying escolar: casos reais

Nesta última parte do post, vamos trazer 2 casos reais de bullyng nas escolas e os reflexos que esses acontecimentos trouxeram à vida das vítimas.

Caso 1

Durante seus anos na escola C.J. conta que sofreu com humilhações e ameaças dos colegas de sala por tirar notas mais altas e ser “bonzinho demais”, chegando a mudar de colégio mais de uma vez, a desistir de sua viagem de formatura e, até mesmo, parando de atender ao telefone por medo dos trotes. Hoje, com aproximadamente 30 anos de idade, ele diz que ainda guarda sequelas do que sofreu.

Caso 2

Em 2017, um caso chamou a atenção da mídia ao retratar um crime cometido por um jovem de apenas 14 anos, que atirou em outros estudantes de sua escola, sendo comparado ao episódio de Columbine, no ano de 1999. O garoto relatou que sofria constantemente com agressões e hostilidades e recorreu à violência como forma de reverter a situação.
De acordo com os dados de 2015 apontados pelo relatório do Programa de Avaliação de Estudantes(PISA), 43% dos estudantes de diversas escolas do Brasil já foram vítimas de bullying.
Embora já exista uma lei de combate ao bullying no país desde 2016, o assunto ainda necessita de muita atenção e deve ser cada vez mais discutido nas escolas e entre as famílias, para que os casos existentes possam ser identificados e devidamente solucionados.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Cresce violência nas escolas

Os atos de violência contra os professores têm aumentado, de maneira inquietadora, apesar das medidas tomadas pelas autoridades para coibi-los, como mostram dados levantados pela reportagem do Estado nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio do Estado de São Paulo. No primeiro semestre deste ano, foram registrados nada menos do que 548 boletins de ocorrência de agressão física de alunos contra professores, o que dá uma média de três por dia.
No caso da rede pública estadual, que conta com 5,2 mil unidades, dados da Secretaria da Educação indicam que aqueles casos de agressão subiram de 188 em 2015 para 249 em 2016. O problema não é de hoje. Resultados de um levantamento publicado em 2013 mostram que 44% dos professores da rede de ensino básico já haviam sofrido algum tipo de violência, sendo as mais comuns as verbais (39%) e as de assédio moral (10%). As de violência física não passavam de 5%, o que indica que a situação vem piorando.
Esse problema é um grande desafio para as autoridades porque tem vários aspectos importantes a serem atacados ao mesmo tempo, tais como a quebra de disciplina e autoridade – que começa em casa –, sem as quais a escola não funciona, a desestruturação da família, as carências sociais, a falta de perspectiva profissional para os jovens, em contraste com a sedução das drogas e do tráfico, e a difusão da cultura da violência. Sem se esquecer de que esse tipo de violência não é exclusivo das regiões e populações mais carentes.
Em contraposição a esta situação estarrecedora, em 2009, as autoridades educacionais de São Paulo lançaram a ideia inovadora da criação da figura de um professor mediador de conflitos para promover o diálogo e melhorar as relações entre os professores e os alunos. A ideia teve o apoio do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e da Prefeitura da capital e a participação, em sua implantação, do Tribunal de Justiça. A intenção dessa iniciativa é resolver os conflitos dentro da escola, evitando que eles descambem para a violência.
“Buscamos evitar a judicialização de conflitos. Desde criança se aprende que violência se responde com violência. E assim a justiça se tornou uma espécie de vingança”, afirma o juiz Egberto de Almeida Penido, que participa de um dos projetos desse programa, indicando o esforço que os mediadores devem fazer para matar no nascedouro o ciclo de ódio que leva à agressão.
Um exemplo dos resultados que podem ser obtidos com a ação dos mediadores de conflitos, citado pela reportagem, é o da Escola Estadual Sérgio Murilo Raduan, no Jardim Varginha, extremo sul da capital. Ali, só no primeiro bimestre de 2016, foram registrados 46 casos de desrespeito ao professor ou funcionário por aluno e neste ano, no mesmo período, o número baixou para 12 por causa do diálogo promovido entre as partes pelos mediadores, precedido de uma calma conversa com o aluno exaltado.
Apesar desses resultados animadores, os números que mostram o aumento das agressões deixam claro que a ação dos mediadores de conflito não é uma panaceia. Tem limites. Quando o diálogo falha e a agressão ocorre, quebrando o princípio da autoridade – além, é claro, do dano físico ou moral causado ao agredido –, o caso tem de ter desdobramentos administrativos e criminais. O agressor tem de ser responsabilizado por seus atos.
Todos os esforços devem ser feitos, em todos os planos possíveis, para atacar o complexo problema da violência entre os jovens. Mas, ultrapassado o limite da integridade física e moral, assim como o da disciplina em sala de aula, não pode haver tolerância com a violência. O recente episódio da brutal agressão sofrida pela professora Márcia Friggi, da cidade de Indaial, em Santa Catarina – que está longe de ser um caso isolado –, vítima de um aluno de 15 anos, que já havia agredido antes a própria mãe, mostra o alto preço que sempre se paga por tolerar a impunidade, dentro ou fora das escolas.

Alunos discutem causas e soluções para a violência escolar

O tema violência escolar não pode ser analisado a partir de um único ponto de vista, já que existem diferentes fatores para que essa violência aconteça como o social, o político, o econômico e o cultural. E para acabar com a violência no contexto escolar é primordial a conscientização dos alunos quanto aos danos que ela traz à vida de todos. Essa foi a constatação dos próprios alunos do ensino médio, entrevistados para estudo feito na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.
Participaram do estudo alunos de uma escola de ensino médio do município de Alfenas, Minas Gerais, que mostraram seu posicionamento em relação à violência que abrange todo o contexto escolar. Segundo a enfermeira Michelly Rodrigues Esteves, autora da pesquisa, “no Brasil, os adolescentes estão entre os grupos populacionais mais vitimados pela violência, que apresenta diferentes tipos, sendo apontados no estudo três tipos: verbal, física e psicológica”.
Para os adolescentes entrevistados, a violência dentro da escola começa com a falta de aceitação das diferenças, que pode ocorrer entre os alunos, entre professores e alunos e, também, entre funcionários e alunos. “A direção da escola e os professores também são considerados agentes de violência quando são extremamente autoritários, deixando de ouvir o que os alunos têm a dizer”, conta a pesquisadora.
Além da intolerância com as diferenças, sejam elas de gênero, físicas ou sociais, de acordo com Michelly, as atitudes violentas começam com palavras agressivas, que em alguns casos, constituem uma forma de chamar a atenção dos colegas e, até mesmo, dos professores e, a partir disso, geram atitudes mais severas. Segundo relato dos alunos, “a agressão física pode ser uma alternativa quando a conversa não resolve e quando as pessoas se mostram muito provocativas em público”.

De fora para dentro

Além da violência que já começa dentro da escola, ela também pode ser ocasionada por influências externas, como é o caso da rua e da família. Para a pesquisadora, o adolescente entende a rua como assustadora ou acolhedora. “Ela pode ser também um local de refúgio, onde eles encontram amizades, liberdade e, consequentemente, descobertas, que nem sempre são classificadas como boas”. Nesse caso, diz Michelly, o aluno tende a levar o que aprende na rua para dentro da escola.
Quanto ao papel da família, segundo Michelly, muitas vezes os pais se envolvem de forma insuficiente na vida dos filhos, sendo possível perceber uma relação pouco harmoniosa entre família e escola. A violência psicológica e a física, diz a pesquisadora, são aplicadas em algumas famílias como medidas punitivas e disciplinatórias e não são raros os relatos de filhos que presenciaram ou que ainda presenciam a violência sofrida por suas mães. “A instituição família precisa ser fortalecida, ter os seus princípios e os seus valores devidamente alicerçados e reconhecidos na parceria junto à escola”, conclui Michelly.
Para evitar a violência dentro da escola e facilitar a convivência social existem normas, regras de conduta e de funcionamento do local. Para a pesquisadora, os sistemas de ensino devem introduzir, desde os primeiros anos, a Educação para a Paz e a mediação de conflitos nos currículos escolares. “As escolas devem estimular as crianças e os adolescentes para terem capacidade de reflexão, contextualização, e mostrar que todos os seres humanos apresentam suas diversidades e por mais diferentes que pareçam têm necessidades comuns aos demais e devem ser trabalhadas na comunidade escolar a intolerância com as diferenças”, diz a orientadora do trabalho professora Maria das Graças Bomfim de Carvalho.
A tese de doutorado Violência no contexto escolar sob a óptica de alunos do ensino médio foi defendida no ano passado. O estudo recebeu o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Título da Redação:

As causas da violência escolar e seu tratamento.

Redação enviada há quase 3 anos por Matheus Pena Coelho Pena Coelho

A violência nas grandes cidades brasileiras teve um aumento exponencial à partir dos anos 1990, quando passou a atingir também as escolas. A crescente violência nas escolas brasileiras vem recebendo cada vez mais destaque na mídia As discussões para tentar definir os motivos e o que fazer para lidar com esse problema, entretanto, não apresentaram, até os dias atuais, algo efetivo para tratar desse problema.
O respeito à autoridade do professor decaiu bruscamente nos dias de hoje. Isso é fruto de péssimos exemplos de autoridades que não cumprem seu dever perante o povo brasileiro. Governadores, prefeitos, vereadores e a própria polícia são exemplos dessas autoridades que perderam a credibilidade nas últimas décadas, devido à corrupção, falta de moralismo, falta de ética e falha em cumprir seus deveres. Todos esses maus exemplos e a rebelião contra os mesmos citados, dificultam o desenvolvimento do respeito do aluno por uma autoridade, como é o caso do professor em sala de aula.
A expansão da violência geral nas grandes cidades é o fator mais significativo para compreender a violência escolar. As periferias das cidades grandes, onde habitam a grande maioria dos alunos de escolas públicas, são os lugares de maior incidência de crimes e da marginalização. A falta de qualidade no ensino público não impulsiona o aluno a passar em vestibulares e o aluno percebe isso. Como disse Paulo Freire: Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor. Os oprimidos aos quais Paulo Freire se referia são os pobres, marginalizados, à beira do sistema de ensino do governo, que não oferece uma educação didática digna à grande parte dos alunos.
Outro fator que remete à violência nos dias atuais é a exposição de brigas e rebeliões de jovens e adolescentes nas redes sociais. São organizados “torneios” ilegais de combate entre alunos, sejam da rede pública ou privada. Às vezes são feitos até mesmo dentro das dependências do colégio (como o caso exibido em uma matéria do programa Fantástico da Rede Globo) e após as lutas, os vídeos são postados na internet , exibidos e compartilhados. Diversas formas de bullying também são postadas nas redes sociais, continuando a difamação para com o aluno ou professor que está sendo vítima, mesmo após as aulas.
Tendo em vista os fatores apresentados, a solução para reduzir a violência escolar deve ser executada pelo Governo e pelos pais e contar com a colaboração dos administradores das redes sociais. O governo precisa investir na infraestrutura dos colégios, no material didático e no plano de estudo que os professores irão apresentar aos alunos durante o curso. Um projeto de educação cívico moral deve ser realizado nas escolas públicas e privadas de todo o Brasil, visando orientar os alunos e professores das escolas a como se portar nas aulas e a respeitar o poder do professor na sala de aula. Os pais devem cumprir seu papel de ensinar os filhos a respeitar à autoridade do professor e procurar saber sobre o comportamento do seu filho em sala de aula. As redes sociais, por sua vez, devem colaborar com a polícia, a fim de restringir o acesso aos vídeos e postagens de violência e bullying e punir os colaboradores dessa violência. Dessa forma, o combate à violência escolar será executado de modo eficaz e trará um ambiente de estudo melhor para todos os envolvidos na educação.

Somos todos responsáveis pela violência nas escolas

 POR UMA ESCOLA LIVRE DE VIOLÊNCIA

As notícias recentemente veiculadas sobre agressões de alunos a professores em escolas têm uma forte vertente sensacionalista e um viés um tanto superficial, ouvindo basicamente a perspectiva dos adultos (mesmo assim, não a de todos os envolvidos na comunidade escolar) e realçando prioritariamente a violência dos alunos contra os professores.  Isso é um desserviço à educação porque cria estigmas, simplifica a questão e induz à busca de soluções igualmente simplistas e, por isso, ineficientes. Na verdade, alimenta o problema. A violência na escola é uma questão muito séria e complexa e merece um olhar cuidadoso e responsável.
Se é verdade que a violência está na sociedade e não apenas na escola, que a reproduz, é verdade também que há violências produzidas no interior da própria escola. Muitas delas funcionam como prisões e lançam mão de formas autoritárias de “manter a disciplina”; baseadas mais nas interdições – no que é proibido – do que no investimento na formação de sujeitos capazes de praticar formas democráticas de convívio, as escolas produzem assim um contexto potencialmente violento.
Para esta discussão é necessário olhar as muitas violências que ocorrem no cotidiano da escola: as institucionais, as interpessoais, as físicas, psicológicas, simbólicas… Todas geram uma pressão contínua e que podem causar explosões  – maiores ou menores – em determinados momentos e situações. Não queremos com isso minimizar ou justificar a gravidade das agressões dos alunos, pelo contrário. Estes fatos explicitam a situação extrema de hostilidade no ambiente escolar.
Adultos e estudantes são agentes e vítimas dessas violências. Preconceitos, discriminações, humilhações, desrespeito.  Do ponto de vista dos alunos, uma das violências mais sentidas – e permanentes – é o não atendimento de suas necessidades de aprendizagem e a falta de sentido do que se ensina e do que se aprende, que acabam funcionando como formas de submissão. Outra é a invisibilidade dos alunos gerada pela falta de escuta, de espaços de participação e de reconhecimento de suas demandas.
Ao mesmo tempo, os adultos da escola têm uma rotina puxada, atuam sem condições de trabalho adequadas, que garantam tempo e espaço para se dedicar à complexidade educacional, e nem sempre são autoridades legitimadas pelos alunos.  Na prática, fica uma tensão entre o desafio de ensinar conteúdos e o gerenciamento de indisciplinas dos alunos, e assim, a escola não consegue cumprir sua função primordial de educar, pois ninguém aprende e ninguém educa em um ambiente inóspito.
A experiência do projeto Respeitar é Preciso! mostra que sem dar atenção às questões que perpassam o cotidiano escolar, o caldo de violências é continuamente engrossado por discriminações e preconceitos de todo tipo. Nestas condições, as relações internas da escola tornam-se tensas, desgastantes e pouco frutíferas.
A violência nas escolas, um tema difícil, precisa ser analisada com a seriedade necessária. Nos preocupa muito a abordagem e o tratamento simplista dado pela mídia ao tema que, sem contextualização adequada, pode levar a conclusões enviesadas. Apontar, mais uma vez, os alunos como os culpados pela grave situação de violência nas escolas é injusto, perpetua o estigma e não encara o problema de frente.
Equipe do Respeitar é Preciso!Instituto Vladimir Herzog


quinta-feira, 14 de março de 2019

Líder na agressão de professores, Brasil convive com violência nas escolas

Indicadores globais mais recentes colocam o Brasil como o país mais violento contra professores. Apenas no estado de São Paulo, o número de docentes que disseram ser vítimas de algum tipo de violência cresceu nos últimos anos.
De acordo com a pesquisa mais recente realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2013, 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana.
É o percentual mais alto entre os 34 países analisados. O índice médio global é de 3,4%. Logo abaixo do Brasil, está a Estônia, com 11%, e a Austrália, com 9,7%. Já na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice é zero.
O levantamento foi feito com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos) em 34 países.
Uma outra pesquisa sobre o assunto feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), em 2017, revela que 51% dos professores da rede estadual já sofreram algum tipo de violência _percentual acima dos 44% registrado três anos antes.
Para a socióloga e coordenadora do programa de juventude e políticas públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), Miriam Abramovay, essa violência nas escolas só diminuirá com a implementação de políticas públicas voltadas para o tema.
“Tem de haver uma política pública de convivência escolar, onde se realize diagnósticos. Sabemos qual escola tem a melhor nota, mas não sabemos absolutamente nada sobre o clima escolar dentro dessas escolas”, afirma Abramovay.
Armamento

Segundo especialistas, o massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), na manhã desta quarta-feira, 13, reflete a falta de segurança no ambiente escolar e a solução não passa pelo armamento.   
“Se o país passar a ter acesso muito mais livre às armas, vamos poder chegar a níveis desse tipo de crime dentro das escolas como os dos Estados Unidos”, afirmou a especialista em violências nas escolas e juventudes.
Para ela, esse é um caso específico. “Ninguém acha que amanhã vai todo mundo sair armado e sair matando nas escolas. Claro que esses dois jovens tinham algum tipo de problema. Não podemos achar que esse será um comportamento repetitivo.”
A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo, rechaça teses que defendem o uso de armas por professores para diminuir a violência. Segundo ela, a presença de armas no ambiente escolar transformaria o espaço de aprendizado em uma “guerra”.
“Quem falou que professor está preparado para dar tiro? Professor está preparado para ensinar. A questão da violência tem que ser vista como mediação e não algo a ser combatido”, comenta ela.
Atentado em escola que deixou dez mortos, em Suzano
Ações preventivas

Entre as medidas apontadas como soluções para evitar ataques como o de hoje, Azevedo defende a presença de mais inspetores. Para ela, esses profissionais, acompanhados de material técnico como câmeras de segurança, ajudariam no controle da violência.
Outra medida que, na opinião dela, ajudaria na segurança das escolas seria uma presença maior.