segunda-feira, 16 de setembro de 2019

"A nova Política Nacional de Alfabetização e o que diz a ciência da leitura"

"Ao final do século XX, no Brasil, fechou-se o viveiro do analfabetismo adulto. Isso porque, na década de 1980, o acesso à escola estava se universalizando para crianças com idades entre 7 e 14 anos. Em 1985, o MOBRAL, programa focado em alfabetização de adultos, deu lugar à Fundação Educar, direcionada à Educação de Jovens e Adultos.

A partir dos anos 1990, todavia, começou a ficar patente que nos defrontaríamos com outro problema: o analfabetismo funcional escolarizado, ou seja, pessoas que frequentaram o ensino formal, até superior, mas têm dificuldades para entender textos simples.

No Brasil, 48% da população de 15 a 24 anos apresentou níveis de alfabetismo funcional rudimentar e elementar no INAF 2018, o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional, divulgado pela Ação Educativa e Instituto Paulo Montenegro. Essa condição - analfabetismo funcional escolarizado e baixos níveis de alfabetismo funcional – certamente atrasa o desenvolvimento do país. Isso começou a acontecer em nosso país antes mesmo que tivéssemos debelado o analfabetismo adulto, cuja taxa agora cai mais lentamente."
"Aqui, embora 96% da população portadora de diploma de ensino superior seja funcionalmente alfabetizada, apenas 34% dela atinge nível pleno de proficiência na escala do INAF 2018.

Imagem: Reprodução | Pixabay.


Pode ser surpreendente para os leigos, mas o problema do baixo desempenho em leitura, de baixos níveis de alfabetismo funcional, ainda que em proporção muito inferior ao que ocorre em nossa experiência, acomete também países desenvolvidos.

Nossa situação é diferente da deles. Não somente em função da magnitude do problema. Nesses países o avanço da pesquisa científica pôs à disposição da sociedade meios para debelar o problema. Políticas educacionais incorporaram o estado da arte em ciência cognitiva da leitura de modo a manejá-lo e contê-lo. Isso, todavia, não é feito sem obstáculos. E nesse caso somos semelhantes.

O Brasil se atrasou muito nessa questão. A comparação com um país desenvolvido como os EUA é, mais uma vez, surpreendente. Mas esclarecedora.

Em seu número de março de 2002, a revista Scientific American publicou artigo escrito por cinco dos maiores pesquisadores da ciência cognitiva da leitura. O resumo de apresentação do artigo dizia: não é de hoje que educadores debatem a melhor maneira de ensinar crianças a ler. A pesquisa científica mostra, todavia, que um método de ensino de leitura altamente popular entre eles é fundamentalmente ineficaz."
"Em 2003 e 2011, publicações brasileiras, de iniciativa da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e da Academia Brasileira de Ciência, resumiram, e puseram à disposição do país, uma atualização de nível mundial dos achados de pesquisa científica sobre leitura. Mas as políticas educacionais de alfabetização e ensino de leitura continuaram defasadas desses conhecimentos.

Resultado de imagem para fotos de alunos escrevendo

E hoje, em 2019, entre educadores brasileiros, continua a ocorrer o que a Scientific American informava ocorrer entre educadores dos EUA em 2002.

Algo, no entanto, se moveu. Sob os auspícios da Secretaria Nacional de Alfabetização do Ministério da Educação uma nova Política Nacional de Alfabetização, dessa vez alinhada com o estado da arte em ciência cognitiva da leitura, foi desenhada e está em processo de implantação.

Ela define o que é ALFABETIZAR nos termos da ciência cognitiva da leitura, preconiza o uso de evidências científicas e estabelece como princípio a ênfase em seis componentes essenciais à alfabetização, do mesmo modo, em consonância com o estado da arte em ciência cognitiva da leitura: consciência fonêmica, instrução fônica sistemática, fluência em leitura oral, desenvolvimento de vocabulário, compreensão de textos e produção escrita.

É nosso dever conhecê-la e apoiá-la.

* Luiz Carlos Faria da Silva é doutor em Educação pela Universidade de Campinas (Unicamp) e professor no Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM)."

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/a-nova-politica-nacional-de-alfabetizacao-e-o-que-diz-a-ciencia-da-leitura/

"Estudo reforça evidência de que a instrução direta é mais eficaz que o construtivismo"

"Alunos aprendem quando o ensino é sistemático, explícito, em que o estudante não orienta o andamento das aulas, mas segue o professor, que é quem comanda o processo de aprendizagem. Isso é o que aponta uma pesquisa publicada na mais conceituada revista acadêmica de Educação do mundo, a Review of Educational Research, primeira no ranking de impacto do Scimago Journal Ranking, indicador internacional utilizado para medir a qualidade de estudos científicos."

Foto: Pixabay.

"A partir de um levantamento feito com resultados de 328 estudos publicados em 50 anos, entre 1966 e 2016, sobre diferentes métodos para ensinar, focando em 4 mil efeitos, quatro pesquisadores da Universidade de Oregon chegaram à conclusão que a “instrução direta”, que parte do princípio que todos os alunos podem aprender, desde que recebam instruções bem planejadas, tem resultados mais robustos comparados com outros métodos.

Os alunos na instrução direta aprendem mais e com rapidez.
Além disso, ao longo do tempo, têm mais autoestima e não perdem o que aprenderam, mesmo se submetidos a um método pior.
Segundo a pesquisa, isso é assim porque, pelas evidências científicas, na instrução direta:
-os alunos dominam conhecimentos básicos que são pré-requisito para conceitos mais complexos – busca-se que o aluno tenha um repertório mínimo para cada etapa antes de avançar;
-a instrução é clara, não ambígua;ao invés de ter um conceito defeituoso formado por si mesmo, o aluno aprende diretamente (não precisa ‘reinventar a roda’) – dito em outras palavras, o estudo mostra que é mais fácil aprender algo novo do que corrigir um conceito defeituoso, mal aprendido;
-o aluno está na série correta de acordo com o que sabe, nem à frente, nem atrasado;
-o aluno recebe um reforço positivo para celebrar seus avanços e, só depois de aprender o básico, é estimulado a produzir ciência (investigar e desenvolver novos conhecimentos).

A pesquisa cita como exemplo de “instrução direta” o modelo inventado pelo pesquisador Siegfried Engelmann, na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos.
E aponta como menos eficazes:

-o construtivismo, quando o aluno teoricamente seria protagonista na construção do conhecimento, mas, na prática, é muitas vezes colocado na situação de ter de ‘adivinhar’ conceitos – crianças de maior vulnerabilidade social são as principais prejudicadas por esse modelo, por terem menos recursos em seu entorno familiar;
-a abordagem desenvolvimentista, que ensina de acordo com padrões comportamentais (evidências do estudo mostram que o ensino direto aumenta a autoestima da criança e, por consequência, seu comportamento);
-as teorias de estilos de aprendizagem, baseadas na tese de que cada pessoa tem uma forma diferente para aprender."

"Por que o construtivismo é preferido à instrução direta"?

Na conclusão do artigo, os pesquisadores se perguntam por que, apesar de apresentar evidências científicas muito melhores para a aprendizagem, a instrução direta é deixada de lado pelos educadores que adotam, principalmente nos Estados Unidos, o construtivismo.

Segundo os pesquisadores, além de questões políticas, apontadas em estudo de 1998, há outros motivos pelos quais não se fomenta mais a utilização da instrução direta:

-a tese de que a criança deve conduzir a aprendizagem e não o professor;
-a ideia de que a instrução direta, de alguma forma, oprimiria os alunos ou lhes traria algum tipo de trauma;
-a opinião de que, ao dar a instrução direta, o aluno fica impedido de fazer qualquer crítica – o que seria exatamente o contrário, quanto mais domina os conhecimentos, mais o estudante será capaz de fazer críticas a eles;
-a ideia de que a instrução direta sufoque a personalidade dos professores, o que, segundo os autores do estudo, não é verdade: na instrução direta o professor é o protagonista e se sente recompensado com o bom desempenho dos alunos. “Na verdade, as apresentações cuidadosamente testadas nos programas liberam os professores de outras preocupações e permitem que eles se concentrem mais nas respostas de seus alunos e garantam sua compreensão”, apontam os pesquisadores."

FONTE::https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/estudo-reforca-evidencia-de-que-a-instrucao-direta-e-mais-eficaz-que-o-construtivismo/

Professor fofo viraliza após desabafo de aluna em prova de matemática...


Um professor de matemática tentando ajudar uma aluna viralizou hoje após trecho da prova ser compartilhado no Twitter.... 

Na imagem, é possível ver que a garota acertou a questão, mas ela não estava confiante no que tinha feito, tanto que deixou um recado para o professor.... 

Professor corrige desabafo de aluna e viraliza - Reprodução/Twitter

"Jorge, eu sou uma decepção em matemática, então não se assusta com o meu zero", escreveu, acrescentando ainda um pedido especial. "PS: Me dá ponto?"....

Já o professor arrumou a frase da menina durante a correção, riscando algumas palavras e acrescentando outras. "Jorge, eu não sou uma decepção em matemática! Então me ajuda a entender melhor?". 

"Claro!", respondeu o professor para a pergunta que ele mesmo planejou, acrescentando ainda que "não há necessidade" de dar um ponto para ela, já que a questão estava certa. Ao todo, o post rendeu quase 82 mil curtidas e 12 mil retweets. 

Veja abaixo as melhores reações: ...

-vei o meu professor de matemática na prova da minha amiga kkkkkkkkk que fofo...
-Uma vez um amigo escreveu "seja o que Deus quiser" na prova e o professor de matemática respondeu "ele não quis" KKKKKKK...

-eu no oitavo ano esqueci de colocar meu nome na prova daí quando o prof tava entregando a minha ficou por último e ele disse "vou ter que te dar zero" e eu implorei pra ele corrigir e não me dar zero acabou que ele cedeu e corrigiu mas eu tirei zero mesmo assim não acertei nada .

Especialistas ouvidos pelo UOL dizem que a atitude de Jorge é um exemplo para as escolas que querem ensinar no século 21. 

"Além de ter sido humano, esse professor deu uma aula de empatia", avalia a professora Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV (Fundação Getulio Vargas). 

"Ele é um exemplo do tipo de educador que a gente precisa para as escolas no século 21." 

Professor de matemática, o gerente de Inteligência Educacional do Sistema de Ensino Poliedro, Fernando do Espiritu Santo, concorda: 

"Esse caso vem em um momento importante para a nossa educação. É o caminho para este século, porque chegou a hora de humanizar as relações... 

FONTE:https://educacao.uol.com.br/noticias/2019/09/11/professor-da-a-melhor-resposta-apos-desabafo-em-prova-de-matermatica.htm

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

"Paraná quer implantar reconhecimento facial de alunos nas escolas estaduais"

"A recém-anunciada parceria entre o governo do Paraná e a Microsoft prevê ferramentas de gestão, de organização pessoal e até mesmo de aprendizado nas escolas estaduais. Além disso, outra tecnologia da empresa norte-americana que a administração de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) estuda adotar nas escolas é a API (conjunto de rotinas e padrões de programação) de detecção facial do sistema Azure".

Renato Feder, secretário estadual da Educação e Esporte


“A gente está testando neste ano diversas alternativas para ver qual vamos adotar para lançar no ano que vem”, conta Renato Feder, secretário estadual da Educação e Esporte. “Quando o aluno entrar na escola, o software já vai reconhecê-lo e lançar a presença no sistema.” A ideia é dar mais segurança, uma vez que pessoas estranhas ao ambiente escolar serão detectadas imediatamente, e mais confiabilidade ao processo de chamada."

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/parana/breves/reconhecimento-facial-alunos-escolas-pr/

"Governo prorroga contratos, abre mão de prova e vai discutir PSS com professores"

"Depois de ventilar a ideia de incluir prova e banca no Processo Seletivo Simplificado (PSS) de professores temporários, o governo do estado voltou atrás e decidiu manter as regras que já estavam em vigor. Com isso, os professores que serão contratados para 2020 serão selecionados por uma prova de títulos que considera escolaridade, tempo de serviço e aperfeiçoamento profissional, como vinha acontecendo.

A decisão foi anunciada em reunião entre representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e do Esporte e da APP-Sindicato, entidade que representa os professores e servidores da rede estadual de ensino, realizada na quinta-feira (08). De acordo com o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, o tema e a decisão são de extrema importância. “Estamos falando de 20 mil professores que já tem contratos precários, sem direitos como FGTS e atendimento à saúde como os demais servidores. O governo vinha anunciando um processo muito parecido com um concurso com prova e banca para contratar profissionais para atuar por apenas um ou dois anos. Na greve, uma das pautas era a manutenção dos atuais critérios e a abertura de concurso público”, diz.

Contratos de PSS serão prorrogados até julho de 2020.


Além de acatar o pedido da APP-Sindicato para não alterar o processo seletivo agora, o governo se comprometeu a estender os contratos dos temporários que já estão atuando no ensino estadual para poder reformular o PSS em parceria com representantes dos professores estaduais. “Vamos ter uma prorrogação dos contratos dos professores que estão atualmente atuando pelo PSS até julho de 2020. A partir daí temos como objetivo estar aplicando o novo modelo que vamos construir”, explica o chefe de gabinete da Seed, Josimar Bochine. Assim, o processo seletivo que será aberto no fim do ano deve contemplar apenas disciplinas de cursos novos.

Para essa reformulação foi criado um grupo de trabalho para discutir propostas para o novo PSS. Além disso, o grupo vai debater os detalhes para a contratação de professores efetivos para a rede estadual. Por enquanto, ainda não há previsão para a seleção, mas este deve ser o foco principal da APP-Sindicato. “Vamos defender sobretudo a realização de concurso público”, diz Leão.

O primeiro encontro do grupo, que terá reuniões mensais, está marcado para 28 de agosto. Devem ser oito membros, embora os integrantes não sejam fixos. “De acordo com os assuntos de cada reunião, serão chamadas pessoas especializadas. Acho que em um ano conseguimos montar um trabalho bem legal com eles”, avalia Bochine."

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/parana/pss-parana-professores-contratos-prorrogados/


"Parceria traz série de softwares da Microsoft para escolas estaduais do Paraná"

"O governo do Paraná e a Microsoft Brasil firmaram na manhã desta quarta-feira (14) um protocolo de intenções e colaboração mútua. O trabalho conjunto terá início com uma solução para gestão escolar e a disponibilização de aplicativos da empresa, mas já é discutida a ampliação para áreas como a segurança pública."

Presidente da Microsoft Brasil, Tania Cosentino, fala sobre a parceria com o governo do estado

"O primeiro resultado da parceria será a implantação, em todas as escolas estaduais, do PowerBI, ferramenta de inteligência de negócios (BI, na sigla em inglês) utilizada por empresas de todo o mundo para visualização em tempo real de relatórios.

Segundo o secretário estadual da Educação e Esporte, Renato Feder, a solução estará em uso nos próximos dias. “Essa é provavelmente a melhor ferramenta do mundo, que dará aos gestores informações de presença, notas, conteúdos, ações, como os professores estão indo, qual matéria está sendo dada, quais aulas aconteceram”, explica. “É uma plataforma que funcionará em favor da administração da escola, acessível ao diretor, ao professor, da forma como gestores de empresas de todo o mundo já utilizam.”

A licença para uso da ferramenta será disponibilizada ao governo do estado de forma gratuita pela Microsoft. De acordo com a presidente da companhia, Tania Cosentino, o Paraná é o primeiro estado do Brasil a firmar parceria nessa área. “Estamos colocando nossos técnicos do Brasil e também especialistas do mundo para suportar o projeto, que é uma espécie de think tank”, diz. “Vamos trazer ideias e também capturar ideias que o governador e sua equipe têm para que a gente possa construir coisas novas.”

"O convênio prevê ainda acesso por parte das escolas estaduais a plataformas como o Office 365 para Educação, que funciona na nuvem. Também serão disponibilizadas ferramentas para apoio acadêmico e treinamentos, como o OneNote para Professores e o conteúdo hacking Stem. “São ferramentas que vão fomentar a criatividade e a colaboração e mudar o engajamento entre professor e aluno, tornando a escola mais atrativa para o aluno”, diz Tania. “Não é só tornar o aprendizado mais lúdico, mas também levar a tecnologia para as crianças desde cedo, já que lidar com ela será uma habilidade crítica fundamental no futuro dos alunos.”

Está incluída ainda a oferta de capacitação do corpo docente por meio do programa Professores Embaixadores, para inserção de tecnologia no processo de aprendizagem por meio de ferramentas cedidas no acordo, e acesso ao portal de colaboração mundial para professores e diretores de escolas, a Comunidade de Educadores Microsoft."

"Professores já fazem controle de presença com aplicativo de celular"

O diretor-presidente da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), Alan Costa, considera que as iniciativas caminham ao encontro da proposta do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) de tornar o Paraná o estado mais inovador do país. “O benefício dessa parceria vai ser sentido direta e concretamente pelos gestores das escolas, pelo estado do Paraná, mas principalmente pelos os alunos.”

Na cerimônia de assinatura do protocolo de intenções, Ratinho Junior disse que a adoção da tecnologia dá sequência a outras iniciativas adotadas pela Secretaria Estadual da Educação e Esporte (Seed) como o programa Presente na Escola, que implantou o controle de presença dos alunos feito pelos professores por meio de um aplicativo para celular.

“Antes, as informações de evasão eram repassadas à Seed a cada 60 dias”, conta Ratinho. Segundo ele, em três meses, o índice de presença nas escolas passou de 85% para 92%. “São milhares de alunos na escola que poderiam estar na rua.”

As negociações para a formalização da parceria entre governo do estado e Microsoft tiveram início em maio, quando representantes da empresa foram recebidos pelo presidente da Agência Paraná de Desenvolvimento (APD), José Eduardo Bekin, no Palácio Iguaçu. Em julho, o governador esteve na sede da Microsoft em Nova York para conhecer soluções na área de segurança pública."

Fonte:https://www.gazetadopovo.com.br/parana/parceria-microsoft-escolas-pr/

"Paraná quer ofertar aula de robótica nas escolas estaduais: saiba quando e como será"

"A partir do próximo ano letivo, as 2.143 escolas estaduais do Paraná podem passar a ofertar aulas de programação e robótica. É o que pretende a Secretaria de Estado da Educação do Esporte (Seed), que iniciou testes em escolas piloto neste semestre. A intenção é incluir quatro horas semanais da disciplina no contraturno escolar de turmas dos níveis fundamental II e médio."

Alunos do Colégio Estadual Padre Cláudio Morelli, em Curitiba, com robô construído para participar do torneio First Lego League
"Alunos do Colégio Estadual Padre Cláudio Morelli, em Curitiba,
com robô construído para participar do torneio First Lego League|
 Foto: Arnaldo Alves.

"A partir do próximo ano letivo, as 2.143 escolas estaduais do Paraná podem passar a ofertar aulas de programação e robótica. É o que pretende a Secretaria de Estado da Educação do Esporte (Seed), que iniciou testes em escolas piloto neste semestre. A intenção é incluir quatro horas semanais da disciplina no contraturno escolar de turmas dos níveis fundamental II e médio.

O objetivo é preparar os alunos para o mercado de trabalho futuro, além ajudá-los a identificar problemas e apontar soluções por meio da experimentação. “É uma tendência mundial”, diz Claudia Cristina Muller, do Departamento de Tecnologias Educacionais da Seed. “Não é só a questão tecnológica, mas o trabalhar em cooperação, dialogar, tomar decisões, pensar em estratégias para resolver demandas por meio da inteligência coletiva e do pensamento computacional.”

No momento, a secretaria avalia a melhor forma para implantação da disciplina e o impacto financeiro da medida. “Vamos aproveitar os laboratórios de informática, mas algumas escolas precisam modernizar seus equipamentos”, diz Claudia. Outra aquisição necessária serão os kits de robótica com os quais os alunos trabalharão.

Em relação a recursos humanos, estão previstos cursos de formação para professores, de forma online e presencial. “Não pretendemos contratar especialistas; a ideia é incluir a matéria na carga horária dos docentes que já atuam na rede estadual de educação.”

Segundo ela, as aulas de robótica serão disponibilizadas para alunos a partir do sexto ano do ensino fundamental. “Alguns projetos, que envolvam programação em código puro, por exemplo, serão voltados aos dois últimos anos do fundamental e aos estudantes de nível médio”, diz.

Nova forma de aprender

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que define o conjunto de aprendizagens essenciais que escolas públicas e privadas do país devem promover. Entre 10 competências gerais da educação básica, o BNCC inclui “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”.

“A ideia está alinhada com o BNCC e com o objetivo 4 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que fala sobre o ensino de qualidade”, ressalta Claudia.

João Vilhete Viegas d’Abreu, pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que a inserção de novas tecnologias na matriz curricular da educação básica pode potencializar e diversificar a forma de aprender qualquer assunto. “Normalmente se dá mais ênfase na área de exatas, mas a robótica e a programação podem perpassar todas as disciplinas.”

Ao se construir uma determinada máquina e programá-la para executar uma tarefa, os alunos podem ser orientados a descrevê-la em um manual ou relatório do projeto. “Isso envolve o aprendizado da língua, saber interpretar, escrever”, ressalta o pesquisador, que trabalha com a área de robótica e tecnologias educacionais desde 1987.

Para ele, desde que são alfabetizadas, crianças já podem interagir com alguns artefatos tecnológicos, inicialmente de maneira mais lúdica. “Pode-se trabalhar em todos os níveis de educação, com os aprofundamentos condizentes com a faixa etária e com o currículo que está sendo trabalhado”, afirma."

Projetos piloto

Algumas escolas paranaenses desenvolvem pilotos do programa que a Seed pretende ampliar para todo o estado no ano que vem. A secretaria acompanha os trabalhos desenvolvidos e avalia o que pode ser replicado, melhorado ou adaptado às realidades de outras instituições.

Entre as selecionadas está o Colégio Estadual Padre Claudio Morelli, no bairro Umbará, em Curitiba, que já é considerado referência no uso de novas tecnologias. Lá, o professor de matemática Thadeu Miqueletto coordena uma oficina de robótica que começou em 2015 timidamente e hoje envolve 30 adolescentes que participam de segunda a sexta-feira.

Na época, Miqueletto era mestrando na Universidade Federal do Paraná (UFPR), e conheceu o kit de robótica da Lego, que levou à escola para trabalhar com alguns alunos. A iniciativa cresceu rapidamente e, em 2017, a Seed supriu o professor com carga horária para a atividade, que até então era executada de forma voluntária.

“Agora temos que fazer seleção todos os anos, porque muita gente que participar”, conta o diretor Luciano Kaminski. Com uma equipe batizada de Doctors Machines, o colégio participa anualmente de grandes competições nacionais, como a Olimpíada Brasileira de Robótica e a First Lego League. “Os alunos que participam da oficina têm autonomia, como são monitores deles mesmos, criam responsabilidades e maturidade.”

O Colégio Estadual do Paraná (CEP) é outro que ministra oficinas de robótica. Recentemente, a instituição adquiriu duas impressoras 3D que ficam disponíveis para os alunos construírem objetos tridimensionais que compõem protótipos ou servem como modelos de estudos. “Há escolas na capital e no interior que já contam com clubes de robótica, mas por iniciativa própria”, diz Claudia Muller, da Seed. “Estamos testando ferramentas e plataformas para avaliar quais vamos usar nessas aulas semanais.”

Em maio, a Seed sediou, em Curitiba, a edição de 2019 do Scratch Day, evento que tem como objetivo desmistificar a programação e estimular a aprendizagem criativa. O Scratch é um software gratuito de programação em blocos, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, da sigla em inglês). A ideia é que qualquer pessoa consiga programar com o software, que é bastante intuitivo. Mais de 300 pessoas, entre alunos e professores, participaram do evento.

Ainda dentro das experiências conduzidas pela Seed, entre 11 e 13 de setembro, em uma parceria com o Google Play, seis escolas estaduais de Curitiba envolverão alunas de nível médio para desenvolver ideias para o desafio Change The Game, que tem o objetivo de incentivar a representatividade feminina no mundo de jogos para celular.

Tecnologias na educação

A inclusão de aulas de programação e robótica nas escolas estaduais faz parte de uma série de medidas do governo do estado de inserir tecnologia e inovação no contexto da educação. Em agosto, o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) e a presidente da Microsoft Brasil, Tania Consentino, assinaram uma parceria inédita no país, que prevê acesso gratuito, para todas as escolas da rede estadual, a plataformas como o Office 365 para Educação e o Power BI.

No início do ano, a Seed implantou o programa Presente na Escola, que permite que professores controlem a presença dos alunos por meio de um aplicativo para celular, o que reduziu o índice de faltas, segundo a secretaria. Para o ano que vem, a pasta estuda adotar um sistema de reconhecimento facial na entrada das escolas, segundo afirmou o secretário Renato Feder no mês passado.

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/parana/escolas-estaduais-programacao-robotica-novas-aulas-contraturno/



sexta-feira, 23 de agosto de 2019

"Quem é Charlotte Iserbyt e a teoria da educação projetada para nos tornar burros"

"Nascida em 1930, Charlotte Thomson Iserbyt, com seus 89 anos de idade, parece ser uma daquelas velhinhas serenas, pacíficas e amorosas que estão prestes a fazer cafuné em alguma criança fofa ou então a preparar um delicioso bolo de fubá assim que alguém anuncia um novo vizinho no bairro. Mas ela não é nada disso. Na verdade, é bem feroz, implacável e impiedosa contra o inimigo que combate há mais de quarenta anos. E, para sermos honestos, é como esperamos que ela se comporte quando enfim desembarcar no Brasil na semana do dia 26 de agosto, para uma palestra a ser proferida na Fundação Alexandre de Gusmão, a escola para os diplomatas do Itamaraty, e cujo tema será “Política Educacional Globalista”.

Este parece ser um dos tentáculos da doença que Iserbyt quer destruir desde 1970, quando começou a recolher dados assustadores sobre o sistema educacional americano. Não à toa que a chamam de “the consumate whistleblower” – a informante por excelência. Ela participou da maioria dos conselhos escolares oficiais e não oficiais nas comunidades dos EUA, chegando ao ápice de ter sido nomeada, durante o primeiro governo Reagan (1980-84), como conselheira de políticas públicas do Escritório de Pesquisa Educacional e Aperfeiçoamento, um dos inúmeros braços do Departamento de Educação, o MEC deles.

Na época, Reagan dizia que queria acabar completamente com o tal departamento. Não conseguiu (colocaram a culpa no Partido Democrata, como sempre). Mas Iserbyt fez algo semelhante, ao usar as engrenagens do sistema para denunciar um documento chamado “O que nós podemos fazer para controlar e manipular as escolas”, publicado na revista conservadora Human Events. O “nós” do título era nada mais, nada menos que os burocratas que controlavam o Departamento de Educação. Obviamente, depois do vazamento, Iserbyt foi obrigada a sair do seu cargo de conselheira.

Porém, o estrago já estava feito. Nos anos seguintes, ela passou a coligir artigos, livros, pesquisas, leis e mais documentos para depois lançá-los, no ano de 1999, em um tomo gigantesco de mais de 700 páginas intitulado the deliberate dumbing down of america (assim mesmo, em minúsculas, uma idiossincrasia que esperamos ser mantida na sua tradução nacional, a ser lançada aqui pela editora Instituto Sofia Perennis com o nome “A idiotização proposital da América”, no claro intuito de aproveitar a vinda da autora).

Trata-se de uma obra apavorante, digna de um filme de horror. Não por causa do rigor da sua autora, é claro, mas sim por causa do tema abordado. Por meio de uma cronologia que vai de década a década, Iserbyt costura uma narrativa com fatos e documentos, além das declarações de educadores, psiquiatras, pedagogos, professores, políticos e jornalistas que nos fazem acreditar que a falência da educação americana foi feita como se fosse algo realmente deliberado, e que essa moléstia se espalhou para o resto do mundo graças ao globalismo, uma espécie de "pseudorreligião" que os burocratas do espírito defendem com unhas e dentes.

Em termos históricos, ela mostra que, graças às pesquisas de comportamento feitas por B.F. Skinner e os experimentos pragmáticos elaborados por John Dewey, o que antes era uma educação dedicada à formação da personalidade individual, responsabilizando integralmente o sujeito pelos seus atos e pensamentos, agora tornou-se um laboratório para condicionar o comportamento humano, pronto para destruir a sua capacidade de praticar o livre-arbítrio. Ao contrário do que muitos ingênuos possam pensar, esta não foi uma ideia que ficou apenas na cabeça de uma minoria; ela se instalou como um parasita na mente de cada burocrata, de cada político e de cada jornalista dos EUA, todos colaborando para a criação de uma estrutura tecnológica que invadiu a vida pessoal de cada cidadão, com apenas uma única (e perversa) intenção nas suas decisões públicas: transformar o ser humano em um mero animal.

Imagem do clipe da música “Another brick in the wall”, de Pink Floyd.

O raciocínio de Iserbyt é muito semelhante ao de um outro livro inquietante sobre o mesmo assunto – o francês Maquiavel Pedagogo (Vide Editorial), escrito por Pascal Benardin. Não é por acaso que ela também o cita no decorrer da sua narrativa. Ambos fazem uma leitura minuciosa de documentos, sejam do Departamento de Educação americano, sejam da UNESCO ou da ONU, e chegam à mesma conclusão: há, de fato, um plano para nos tornar cada vez mais burros e, assim, destruir por dentro a soberania de cada nação que não se render diante da sutil coerção dos organismos supranacionais. E o eixo de todo esse processo é justamente o tema da palestra que Iserbyt dará para os jovens do Itamaraty, o tal do “Projeto Educacional Globalista”.

Apesar do nítido tom de “teoria da conspiração” que há nas obras de Iserbyt e Bernardin, não podemos negar duas coisas: a primeira é que ela é uma excelente crítica cultural, precisa nos conceitos, afiada na escolha dos documentos a serem analisados e arguta na sua conclusão implacável; a segunda é que, no fundo, nem ela, nem Pascal Bernardin estão errados. Ambos estão certos em seus pressupostos e nas consequências que extraíram durante as suas experiências com os seus respectivos sistemas educacionais analisados.

Pois trata-se de um fato que, a cada ano que passa, a sociedade moderna se aperfeiçoou no progresso da sua tecnologia, mas esqueceu-se que o preço disto tudo foi a morte do espírito. É evidente que estamos cada vez mais próximos de uma estupidez não só deliberada, mas sobretudo permanente. O globalismo que Iserbyt declarou como seu inimigo é uma estrutura digna dos contos de H.P. Lovecraft, na qual nós somos mais uma engrenagem em um pandemônio infernal que, a longo prazo, afetará a alma das nossas crianças – e, portanto, o destino do futuro de qualquer país que deseja manter o mínimo de dignidade.

Todo este ambiente faz parte de um dos componentes centrais do projeto de poder do governo Jair Bolsonaro – o da “guerra cultural”. Oriundo do termo kulturkampf, surgido na Alemanha no final do século XIX e que ali tornou-se uma verdadeira obsessão no início do século XX, culminando naquele acontecimento apocalíptico chamado “Primeira Guerra Mundial”, este novo tipo de conflito – que não usa armas ou bombas, mas atinge a consciência individual – passou por diversas metamorfoses até ser usada tanto pela esquerda como a direita americanas na década de 1960, depois no auge dos anos 1980 e 1990, quando ninguém mais sabia o que era mentira e o que era verdade. Como sempre acontece no Brasil, a “guerra cultural” virou um pastiche, mais uma daquelas alucinações dignas do Festival de Besteiras que Assolam o País descrito por Stanislaw Ponte Preta, que, ao ser apossada por uma determinada parte da direita tupiniquim – para ser exato, uma parcela nitidamente neointegralista –, foi capaz de deformar uma meia-verdade (a doutrinação gramsciana nas escolas e nas universidades) e torná-la uma realidade monomaníaca, que fez a fama de várias pessoas, da Escola Sem Partido a Olavo de Carvalho, passando pelos três filhos do Presidente da República.

Portanto, alguém precisa informar à Charlotte Iserbyt que a sua ida ao Brasil vem para fomentar algo que se opõe frontalmente a tudo o que ela defendeu em sua obra. A “guerra cultural” descrita em suas denúncias não é uma fábrica para criar um novo tipo de economia estruturada em torno do Estado Patrimonialista brasileiro. É algo pior: trata-se de uma guerra deliberada contra o espírito humano. As circunstâncias americanas e as brasileiras são semelhantes por analogia, mas completamente diferentes nas suas essências concretas. A própria Iserbyt mostra, em seus textos, soluções práticas que o cidadão americano consegue obter contra este embrutecimento da alma, como uma desobediência civil baseada principalmente em protestos comunitários, o boicote no pagamento de taxas e de impostos e, last but not least, o homeschooling – a educação em casa, feita pela própria família da criança. O globalismo pode até tentar impedir a realização desta última saída, mas ainda assim os EUA têm uma Constituição que permite a liberdade individual, algo que não existe (e nunca existiu) no Brasil, que, na sua carta magna, esqueceu-se do indivíduo e lembrou-se apenas da isonomia democrática que sempre foi a origem daquilo que Tocqueville mais temia: a tirania da maioria."
"Se a visita de Iserbyt for realmente válida (e honesta), sugiro que o Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a leve para conhecer um pouco da realidade concreta de um professor brasileiro – em especial, um professor que não seja viciado pelas bobagens de um Paulo Freire, muito menos enfeitiçado pela tecnocracia de um Instituto Ayrton Senna, mas que queira somente fazer o que a sua vocação exige: ensinar crianças que desejam ser educadas. Se algo semelhante for feito, é quase certo que Iserbyt verificará algo que nem o seu tomo gigantesco conseguiu registrar: ela testemunhará professores que, apesar da disfunção sistêmica do Estado, pagam do seu próprio bolso para burlar as exigências educacionais das apostilas recheadas de jargões politicamente corretos (pois todas as impressoras da escola foram recolhidas sem aviso); enfrentam alunos que se renderam à epidemia das drogas e da bandidagem sem nenhuma arma; são boicotados pelos coordenadores porque simplesmente não se vergam diante do corporativismo público; e, por isso, conforme o relato da professora Paula Rosiska publicado há alguns dias no Twitter, vivem com medo de darem suas aulas, já que não têm nenhuma vontade de serem agredidos, tanto pelos estudantes como pelos burocratas que os sufocam com suas decisões arbitrárias, feitas de cima para baixo, e sem nenhuma preocupação com quem realmente assume o risco da empreitada.

Discorrer sobre a “política educacional globalista” em um auditório cheio de funcionários públicos de primeira categoria é fácil. O que eu gostaria de realmente ver é como Charlotte Iserbyt, justamente por causa da sua implacável honestidade intelectual, perceberá que sua palestra no Itamaraty é uma amostra de que ela é mais uma vítima do “fetichismo do conceito” que sempre atacou a nossa elite política – demonstrado aqui pela preferência de discutir um globalismo que é apenas uma abstração em nosso dia a dia em vez de atacar uma epidemia nacional que tem sua origem na mesma “revolta das elites” que organizou tanto a esquerda do PT como também a ascensão de uma direita que continua naquela guerra deliberada contra o espírito humano.

Portanto, fica aqui o aviso para que Charlotte Thomson Iserbyt, esta nobre senhora defensora da educação que respeita a liberdade humana, não entre no engodo de ter suas ideias usadas por um governo que, mesmo sendo contra a hegemonia gramsciana, praticará o que qualquer aparelho digno do nosso totalitarismo cultural sempre fez: destruir a alma das nossas crianças para depois colocá-las no moedor de carne que é o mercado de trabalho, a única coisa interessante para um país cujo pragmatismo técnico é, no final, o irmão gêmeo do tão temido globalismo que o bolsolavismo alega combater. Se a boa velhinha não perceber isso, então só podemos terminar este artigo parafraseando a antológica prece dita por um malfadado ex-deputado federal durante uma das nossas encruzilhadas históricas: Que Deus tenha misericórdia desta mulher."

"* Nota do editor (em 22 de agosto de 2019, às 16h): Após sofrer um acidente, Charlotte Iserbyt adiou a sua vinda ao Brasil. De acordo com o Itamaraty, o evento ainda não foi remarcado.

20 years of schoolin' and they put you on the day shift.
Bob Dylan, “Subterranean Homesick Blues”

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/quem-e-charlotte-iserbyt-e-a-teoria-da-educacao-projetada-para-nos-tornar-burros/

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Educação no Brasil

Espera-se que a educação no Brasil resolva, sozinha, os problemas sociais do país. No entanto, é preciso primeiro melhorar a formação dos docentes, visto que o desenvolvimento dos professores implica no desenvolvimento dos alunos e da escola.

O processo de expansão da escolarização básica no Brasil só começou em meados do século XX

Ao propor uma reflexão sobre a educação brasileira, vale lembrar que só em meados do século XX o processo de expansão da escolarização básica no país começou, e que o seu crescimento, em termos de rede pública de ensino, se deu no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.
Com isso posto, podemos nos voltar aos dados nacionais:O Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola (IBGE). O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 (IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler (Todos pela Educação); 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita (Todos pela Educação). Professores recebem menos que o piso salarial (et. al., na mídia).
Frente aos dados, muitos podem se tornar críticos e até se indagar com questões a respeito dos avanços, concluindo que “se a sociedade muda, a escola só poderia evoluir com ela!”. Talvez o bom senso sugerisse pensarmos dessa forma. Entretanto, podemos notar que a evolução da sociedade, de certo modo, faz com que a escola se adapte para uma vida moderna, mas de maneira defensiva, tardia, sem garantir a elevação do nível da educação.
Logo, agora não mais pelo bom senso e sim pelo costume, a “culpa” tenderia a cair sobre o profissional docente. Dessa forma, os professores se tornam alvos ou ficam no fogo cruzado de muitas esperanças sociais e políticas em crise nos dias atuais. As críticas externas ao sistema educacional cobram dos professores cada vez mais trabalho, como se a educação, sozinha, tivesse que resolver todos os problemas sociais.
Já sabemos que não basta, como se pensou nos anos 1950 e 1960, dotar professores de livros e novos materiais pedagógicos. O fato é que a qualidade da educação está fortemente aliada à qualidade da formação dos professores. Outro fato é que o que o professor pensa sobre o ensino determina o que o professor faz quando ensina.
O desenvolvimento dos professores é uma precondição para o desenvolvimento da escola e, em geral, a experiência demonstra que os docentes são maus executores das ideias dos outros. Nenhuma reforma, inovação ou transformação – como queira chamar – perdura sem o docente.
É preciso abandonar a crença de que as atitudes dos professores só se modificam na medida em que os docentes percebem resultados positivos na aprendizagem dos alunos. Para uma mudança efetiva de crença e de atitude, caberia considerar os professores como sujeitos. Sujeitos que, em atividade profissional, são levados a se envolver em situações formais de aprendizagem.
Mudanças profundas só acontecerão quando a formação dos professores deixar de ser um processo de atualização, feita de cima para baixo, e se converter em um verdadeiro processo de aprendizagem, como um ganho individual e coletivo, e não como uma agressão.
Certamente, os professores não podem ser tomados como atores únicos nesse cenário. Podemos concordar que tal situação também é resultado de pouco engajamento e pressão por parte da população como um todo, que contribui à lentidão. Ainda sem citar o corporativismo das instâncias responsáveis pela gestão – não só do sistema de ensino, mas também das unidades escolares – e também os muitos de nossos contemporâneos que pensam, sem ousar dizer em voz alta, “que se todos fossem instruídos, quem varreria as ruas?”; ou que não veem problema “em dispensar a todos das formações de alto nível, quando os empregos disponíveis não as exigem”.
Enquanto isso, nós continuamos longe de atingir a meta de alfabetizar todas as crianças até os 8 anos de idade e carregando o fardo de um baixo desempenho no IDEB. Com o índice de aprovação na média de 0 a 10, os estudantes brasileiros tiveram a pontuação de 4,6 em 2009. A meta do país é de chegar a 6 em 2022.

"Sala de aula: presente!?"

"Além dos altos índices de evasão escolar no ensino médio brasileiro, há um outro fator a ser analisado que nem sempre aparece nas pesquisas, o número de alunos que estão somente fisicamente presentes em sala de aula, "cumprindo tabela". Não é sem razão que professores, pais e alunos desejam uma remodelação no trabalho escolar na última etapa da educação básica no país.

Esse mês a Talis (Teaching and Learning Internacional Survey – Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, realizada pela OCDE a cada cinco anos) revelou pontos de atenção a respeito da aprendizagem e das condições de trabalho de professores e gestores de escolas em 48 países, entre eles o Brasil. Conforme os resultados da pesquisa, há uma forte relação entre o clima escolar e a qualidade da aprendizagem, e apontam-se as seguintes evidências no que se refere ao Brasil.

"Se conseguirmos tirar do papel o trabalho com as dez competências gerais da BNCC, já avançaremos a uma ressignificação da escola de educação básica no Brasil"

1) O dobro de frequência na constatação de incidência de intimidações, bullying e ofensas verbais entre estudantes. Apesar de este tema ser amplamente discutido, ainda é preciso que todos no ambiente escolar entendam que o bullying não é aceitável e quando de fato for enfrentado, teremos condições de combatê-lo. Quando um aluno não se sente confortável e seguro na sua escola, com certeza não há condições de aprendizado."



"2) Há 34% a mais de relatos de professores em nosso país indicando a necessidade de acalmar os estudantes antes de iniciar as aulas, reduzindo ainda mais o tempo de trabalho pedagógico.

3) As metodologias ativas são menos usadas do que na média dos outros países, mesmo com 80% dos professores brasileiros estarem abertos a adotar práticas inovadoras.

4) Sessenta por cento dos diretores brasileiros informaram que a qualidade da educação em suas escolas é prejudicada pela falta de professores qualificados, o dobro dos demais países pesquisados.

"É notório que já avançamos pela força da lei com a inclusão de 1.200 horas para os itinerários formativos como um espaço de protagonismo para o estudante no ensino médio. Por outro lado, realizar esse plano será um grande desafio. Em diversas partes do mundo, oficinas de marcenaria, costura, gastronomia, mecânica e música dividem espaço na matriz com os componentes curriculares clássicos. Isso porque, para promover o engajamento e garantir aprendizagens que sustentam e ancoram o desenvolvimento cognitivo, essas oficinas são estratégicas. E, mais, oportunizam interações que qualificam a comunicação e desenvolvem a empatia, competências necessárias para dar respostas criativas aos problemas complexos que ainda não conhecemos, que emanam de uma sociedade em profunda mudança, cuja arquitetura do mundo do trabalho ainda está sendo desenhada. Muito pouco sabemos do que será exigido para operar nesse mundo que ainda desponta no horizonte, salvo o que chamamos de qualidades humanas – ainda escassa. Mas se conseguirmos tirar do papel o trabalho com as dez competências gerais da BNCC, já avançaremos a uma ressignificação da escola de educação básica no Brasil, construindo sentido para a sua existência. É uma chance ouvirmos nas chamadas diárias, da boca e do coração de cada estudante: "presente"!"

https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/evasao-escolares-sala-de-aula-presente/

"Obstáculos à educação"

"Todos percebem que o problema da educação de base no Brasil parece estar nos baixos salários e formação dos professores. Mas também está na baixa qualidade de equipamentos e edificações e na gestão deficiente de escolas; no descuido com o acompanhamento dos alunos pelos governantes, gestores, familiares e professores. Mas poucos percebem que há obstáculos mais profundos provocando essas causas."



"O primeiro está no sentimento de que não somos vocacionados para estarmos entre os melhores do mundo em educação. Somos e queremos continuar sendo os melhores com os pés, não com o cérebro. Todos lembramos da derrota por 7 x 1 que levamos da Alemanha, em 2014, mas raros lembram e lamentam que ao longo de 130 anos de República ao menos 20 milhões de adultos brasileiros morreram analfabetos, e que outros 11 milhões estão vivos hoje sem ao menos reconhecer nossa bandeira, por não saberem ler “Ordem e Progresso”."

"O descontentamento de uma pessoa com a opção do filho pelo magistério decorre do sentimento nacional de que nos falta vocação para a educação"

"É como se isso fosse uma fatalidade a que estaríamos condenados. Mesmo quem investe na escola dos filhos, quer mais assegurar o salário que eles terão, do que fazê-los intelectuais educados. Por isso, lamentam quando o filho diz que quer ser filósofo ou professor, no lugar de seguir carreira que permita ganhar bem. O descontentamento de uma pessoa com a opção do filho pelo magistério decorre do sentimento nacional de que nos falta vocação para a educação.

Um segundo obstáculo é mais fácil de explicar. Depois de 350 anos de escravidão, a mente brasileira ainda acha que educação de qualidade não é para todos. No passado, senhores e escravos viam educação como privilégio de brancos livres. Hoje, ricos e pobres continuam vendo a escola de qualidade como privilégio de classes média e alta. Não sendo para todos, a educação de qualidade se limita a uma parcela da sociedade; e essa parcela não precisa também ser muito educada porque, se muitos estudam pouco, os poucos que estudam não precisam estudar muito."

"É como se isso fosse uma fatalidade a que estaríamos condenados. Mesmo quem investe na escola dos filhos, quer mais assegurar o salário que eles terão, do que fazê-los intelectuais educados. Por isso, lamentam quando o filho diz que quer ser filósofo ou professor, no lugar de seguir carreira que permita ganhar bem. O descontentamento de uma pessoa com a opção do filho pelo magistério decorre do sentimento nacional de que nos falta vocação para a educação.

Um segundo obstáculo é mais fácil de explicar. Depois de 350 anos de escravidão, a mente brasileira ainda acha que educação de qualidade não é para todos. No passado, senhores e escravos viam educação como privilégio de brancos livres. Hoje, ricos e pobres continuam vendo a escola de qualidade como privilégio de classes média e alta. Não sendo para todos, a educação de qualidade se limita a uma parcela da sociedade; e essa parcela não precisa também ser muito educada porque, se muitos estudam pouco, os poucos que estudam não precisam estudar muito."

"Cristovam Buarque é professor emérito da 
  Universidade de Brasília."

FONTE: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/obstaculos-a-educacao/

"A nova Política Nacional de Alfabetização e o que diz a ciência da leitura"

"Ao final do século XX, no Brasil, fechou-se o viveiro do analfabetismo adulto. Isso porque, na década de 1980, o acesso à escola estava se universalizando para crianças com idades entre 7 e 14 anos. Em 1985, o MOBRAL, programa focado em alfabetização de adultos, deu lugar à Fundação Educar, direcionada à Educação de Jovens e Adultos.

A partir dos anos 1990, todavia, começou a ficar patente que nos defrontaríamos com outro problema: o analfabetismo funcional escolarizado, ou seja, pessoas que frequentaram o ensino formal, até superior, mas têm dificuldades para entender textos simples.

No Brasil, 48% da população de 15 a 24 anos apresentou níveis de alfabetismo funcional rudimentar e elementar no INAF 2018, o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional, divulgado pela Ação Educativa e Instituto Paulo Montenegro. Essa condição - analfabetismo funcional escolarizado e baixos níveis de alfabetismo funcional – certamente atrasa o desenvolvimento do país. Isso começou a acontecer em nosso país antes mesmo que tivéssemos debelado o analfabetismo adulto, cuja taxa agora cai mais lentamente."
"Aqui, embora 96% da população portadora de diploma de ensino superior seja funcionalmente alfabetizada, apenas 34% dela atinge nível pleno de proficiência na escala do INAF 2018.

Imagem: Reprodução | Pixabay.

Pode ser surpreendente para os leigos, mas o problema do baixo desempenho em leitura, de baixos níveis de alfabetismo funcional, ainda que em proporção muito inferior ao que ocorre em nossa experiência, acomete também países desenvolvidos.

Nossa situação é diferente da deles. Não somente em função da magnitude do problema. Nesses países o avanço da pesquisa científica pôs à disposição da sociedade meios para debelar o problema. Políticas educacionais incorporaram o estado da arte em ciência cognitiva da leitura de modo a manejá-lo e contê-lo. Isso, todavia, não é feito sem obstáculos. E nesse caso somos semelhantes.

O Brasil se atrasou muito nessa questão. A comparação com um país desenvolvido como os EUA é, mais uma vez, surpreendente. Mas esclarecedora.

Em seu número de março de 2002, a revista Scientific American publicou artigo escrito por cinco dos maiores pesquisadores da ciência cognitiva da leitura. O resumo de apresentação do artigo dizia: não é de hoje que educadores debatem a melhor maneira de ensinar crianças a ler. A pesquisa científica mostra, todavia, que um método de ensino de leitura altamente popular entre eles é fundamentalmente ineficaz."
"Em 2003 e 2011, publicações brasileiras, de iniciativa da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e da Academia Brasileira de Ciência, resumiram, e puseram à disposição do país, uma atualização de nível mundial dos achados de pesquisa científica sobre leitura. Mas as políticas educacionais de alfabetização e ensino de leitura continuaram defasadas desses conhecimentos.

E hoje, em 2019, entre educadores brasileiros, continua a ocorrer o que a Scientific American informava ocorrer entre educadores dos EUA em 2002.

Algo, no entanto, se moveu. Sob os auspícios da Secretaria Nacional de Alfabetização do Ministério da Educação uma nova Política Nacional de Alfabetização, dessa vez alinhada com o estado da arte em ciência cognitiva da leitura, foi desenhada e está em processo de implantação.

Ela define o que é ALFABETIZAR nos termos da ciência cognitiva da leitura, preconiza o uso de evidências científicas e estabelece como princípio a ênfase em seis componentes essenciais à alfabetização, do mesmo modo, em consonância com o estado da arte em ciência cognitiva da leitura: consciência fonêmica, instrução fônica sistemática, fluência em leitura oral, desenvolvimento de vocabulário, compreensão de textos e produção escrita.

É nosso dever conhecê-la e apoiá-la.

* Luiz Carlos Faria da Silva é doutor em Educação pela Universidade de Campinas (Unicamp) e professor no Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM)."

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/a-nova-politica-nacional-de-alfabetizacao-e-o-que-diz-a-ciencia-da-leitura/

"A universidade como portal para o mundo"

"Em um mundo de culturas cada vez mais expostas e distâncias cada vez mais curtas, a internacionalização da educação superior vem rapidamente deixando de ser uma opção para se tornar absoluta necessidade para toda universidade comprometida com a qualidade de ensino, pesquisa e extensão.

Franklin Hall, da Kent State University – EUA.

Os grandes desafios modernos em temas como energia, sustentabilidade, cidades, saúde, tecnologia da informação e direitos humanos, embora exerçam impacto local, são de alcance global, portanto suas soluções dependem da formação de líderes com visão e presença globais. Assim, uma universidade falha em sua missão se não formar cidadãos e profissionais capazes de atuar em diferentes contextos e culturas.

O desafio é considerável: internacionalizar uma universidade – em especial, em países não-anglófonos – é um processo contínuo de mudança cultural que exige tempo, recursos e profundo comprometimento institucional. A internacionalização não ocorre livre de riscos, como a fuga de cérebros ou a perda da conexão com a comunidade local. Neste contexto complexo, as universidades precisam de unidades administrativas dedicadas a facilitar processos e orientar e promover a internacionalização como meio para se atingir a excelência na atividade acadêmica sob uma perspectiva global em todos os seus níveis: graduação, pós-graduação, pesquisa, extensão e inovação.

"O esforço vale a pena: o impacto da experiência internacional fica evidente no testemunho de quem a viveu, na qualidade da formação técnico-acadêmica mas, principalmente, como experiência transformadora. E para aqueles que não tem a oportunidade de viajar – apenas uma pequena fração da comunidade universitária em qualquer país do mundo é móvel –, é preciso trazer o mundo para dentro de casa, em um processo de democratização denominado “internacionalização em casa.”

A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) assumiu esse desafio quando elegeu a internacionalização como prioridade, orientada pelos valores fundamentais da multiculturalidade, inclusão, inovação e presença solidária. Esta decisão está traduzida no Plano Institucional de Internacionalização, vigente desde 2016, que elenca uma série de estratégias. Desde a implementação do plano, concebido para dar continuidade a um trabalho que se iniciou já em 2006 com a inclusão da internacionalização pela primeira vez no plano de desenvolvimento estratégico, diversos resultados já podem ser percebidos.

O programa Global Classes, por exemplo, coloca a PUCPR como a universidade brasileira com o maior número de disciplinas de graduação regularmente oferecidas em inglês, conforme dados divulgados no relatório 2019 do British Council em parceria com a Associação Brasileira de Educação Internacional (Faubai).

Já o American Academy, lançado em 2018 em parceria com a Kent State University (KSU, Ohio, Estados Unidos), traz o primeiro curso de graduação do Brasil seguindo o modelo americano de educação em liberal arts."
"Além deles, há ainda o Law International Program (LIP), programa modular da Escola de Direito que permite a internacionalização customizada dos estudantes de acordo com seus interesses e capacidades individuais, e o Business Management Program, curso de graduação em administração da Escola de Negócios que garante a todos os estudantes dupla diplomação com instituições parceiras na Europa, América do Norte e Ásia.

Todas essas iniciativas culminam com a inauguração do Campus Florence, campus da PUCPR em Florença, Itália, que marca sua presença física na Europa, na cidade italiana berço do renascimento. Ter um campus na Europa expande significativamente o raio de atuação da instituição, tanto na oferta de oportunidades para seus estudantes quanto na visibilidade voltada para a atração da comunidade internacional. A proposta do Campus Florence é de se tornar um hub de atração de estudantes, professores e pesquisadores para um ambiente acadêmico verdadeiramente multicultural e inclusivo.

Internacionalizar uma universidade não é um processo natural e espontâneo; pelo contrário, são necessários comprometimento e recursos para superar barreiras em um país não-anglófono de pouca tradição de abertura global em diversos setores da sociedade.

E embora o MEC atualmente favoreça a criação de cursos de graduação e pós-graduação em diferentes modelos experimentais, o reforço na disseminação da língua inglesa – como fator de inclusão internacional – e a adoção de uma postura de maior abertura para a comunidade internacional certamente favorecerão a inclusão do Brasil no mundo da educação sem fronteiras.

Marcelo Távora Mira é professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e diretor do PUCPR International.

FONTE:https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/a-universidade-como-portal-para-o-mundo/